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O que briga entre adolescentes com tesoura revela sobre o bullying no Brasil?

Vítima foi hospitalizada logo após o ocorrido e também é acusada de ter provocado a agressora antes da briga

O caso foi registrado pela polícia como lesão corporal - Foto: Reprodução/Redes Sociais
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  • Na última quinta-feira, sete de setembro, duas adolescentes se envolveram em uma briga na Escola Estadual José Chediak, na Zona Leste de São Paulo.
  • Uma adolescente de dezessete anos foi ferida no rosto por golpes de tesoura desferidos pela outra, de dezoito anos. A vítima foi levada a uma unidade de Pronto Atendimento (UPA) e recebeu alta após o atendimento.
  • A confusão começou após uma discussão entre as duas, e um vídeo da briga circula na internet, mostrando socos e puxões de cabelo.
  • A agressora alegou que já sofria ameaças da colega e que seus pais haviam solicitado medidas à escola. No boletim de ocorrência, afirmou que agiu em legítima defesa.
  • Em 2023, mais de seis milhões e setecentos mil estudantes relataram ter sofrido violência na escola, evidenciando a persistência do bullying, que foi tipificado como crime pela Lei Federal 14.811/2024.

Na última quinta-feira (7), duas adolescentes brigaram na Escola Estadual José Chediak, na Zona Leste de São Paulo. Uma delas, de 17 anos, foi ferida no rosto por golpes de tesoura desferidos pela outra, de 18. A vítima ficou ferida mas foi prontamente encaminhada a uma unidade UPA, onde recebeu alta após o atendimento.

Segundo o boletim de ocorrência, a briga começou depois de uma discussão entre as duas adolescentes. Um vídeo que circula na internet mostra a confusão, onde elas trocam socos e puxões de cabelo. Em determinado momento, uma delas pega uma tesoura e golpeia a outra.

A agressora disse que já recebia ameaças da colega e que os pais dela haviam pedido providências à escola. No boletim de ocorrência, ela afirmou que agiu para se defender.

Em meio a casos de agressão física, um dos grandes problemas continua permeando a mente dos jovens e seus locais de estudo: o bullying. Em janeiro de 2024, foi sancionada a Lei Federal 14.811/2024, que tipifica bullying e cyberbullying como crimes no Código Penal. A nova lei prevê reclusão de 2 a 4 anos para casos de bullying virtual e punições mais severas quando ocorrem em escolas ou envolvem menores. Apesar disso, os casos continuam aumentando.

Em 2023, mais de 6,7 milhões de estudantes relataram ter sofrido algum tipo de violência na escola, o que representa cerca de 11% dos 60 milhões de alunos matriculados no país.

O bullying não se manifesta só na agressão física, mas principalmente na verbal, por meio de humilhações e intimidações. Isso por sua vez pode deixar a vítima retraída, prejudicar seu desempenho escolar e causar problemas mentais, que podem evoluir para depressão, distúrbios comportamentais e até suicídio.

Quando a pressão dos agressores é alta e o apoio de figuras responsáveis é baixo ou nulo, muitas vítimas recorrem à agressão física para revidar, o que pode levar a situações críticas e até fatais.

A violência, porém, não resolve e muitas vezes piora a situação. A vítima pode se aprofundar no ciclo de agressões, enquanto o agressor se sente desafiado a continuar para evitar sofrer a mesma humilhação que impõe.

Muitas vezes, na infância, adolescência e no fim do período escolar, essas pessoas não sabem lidar com os próprios sentimentos, seja por mudanças físicas naturais ou por problemas pessoais e familiares.

Esses fatores podem desencadear o início de atitudes de bullying contra outras pessoas, numa tentativa de ganhar aceitação e respeito. Todos nesse cenário são vítimas e precisam ser ouvidos para evitar que o ciclo de agressões continue.

Em entrevista ao *UOL*, Deborah Moss, especialista em comportamento infantil e mestre em psicologia do desenvolvimento humano pela *USP* (Universidade de São Paulo), destaca:

“Usar o outro como válvula de escape pode ser a maneira que esse sujeito encontrou para aliviar problemas, muitas vezes de âmbito familiar”

A principal forma de lidar com isso é conversar com pessoas responsáveis na escola ou em casa, que saibam ouvir com respeito e empatia para entender o que cada vítima sente e entender as raízes dos conflitos.

Ignorar o problema, durante ou depois, só o piora. Por isso, é importante confortar a vítima com empatia e diálogo, e depois ajudar a tratar suas feridas com terapia e apoio emocional, para que assim, se construa uma sociedade mais acolhedora e menos violenta.

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