- Anúncios de documentos médicos falsos no Telegram aumentaram mais de 20 vezes desde 2018.
- Atualmente, existem 27 mil usuários ativos em comunidades de venda desses documentos.
- Médicos têm seus dados utilizados para fraudes, como no caso do pediatra João Batista, que recebeu uma carta questionando atestados que não assinou.
- O Conselho Federal de Medicina (CFM) criou um sistema de rastreamento de atestados, mas sua implementação foi suspensa por decisão judicial.
- A Anvisa está testando um sistema nacional para controle de receitas de medicamentos, visando aumentar a segurança e reduzir fraudes.
Um levantamento inédito revela que anúncios de documentos médicos falsos no Telegram aumentaram mais de 20 vezes desde 2018, com 27 mil usuários ativos em comunidades de venda. O problema se agrava com a exposição de dados de médicos, que têm seus nomes utilizados em fraudes sem seu conhecimento.
O pediatra João Batista, de 72 anos, recebeu uma carta do Conselho Regional de Medicina (CRM) de São Paulo questionando a emissão de atestados médicos que ele nunca assinou. Essa situação não é isolada; muitos médicos no Brasil enfrentam o mesmo problema, com seus dados sendo utilizados para a criação de documentos falsos. Grupos nas redes sociais, especialmente no Telegram, comercializam receitas, laudos e atestados, muitas vezes com informações de médicos reais.
Dados do pesquisador Ergon Cugler, do CNPq, mostram que o número de publicações sobre documentos médicos falsos saltou de 686 em 2018 para mais de 15 mil em 2025, com visualizações que já ultrapassam meio milhão. O comércio é facilitado por bots automatizados e perfis falsos, permitindo pagamentos rápidos e acesso imediato aos documentos.
Ações e Reações
O Conselho Federal de Medicina (CFM) criou um sistema de rastreamento de atestados médicos, mas a implementação foi suspensa por decisão judicial. O movimento que contestou a plataforma argumenta que ela poderia criar um monopólio e afetar empresas privadas. O CFM, por sua vez, defende que a ferramenta é essencial para combater fraudes.
Além disso, a Anvisa está testando um sistema nacional para controle de receitas de medicamentos, que visa aumentar a segurança e reduzir fraudes. A expectativa é que, ao final do ano, as farmácias consigam validar automaticamente as receitas digitais.
O aumento da falsificação de documentos médicos representa um risco real à saúde pública, pois pacientes podem obter medicamentos controlados sem supervisão médica. Especialistas alertam que essa prática não apenas prejudica a classe médica, mas também mina a confiança nas instituições de saúde.
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