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Redes sociais lucram com venda de remédios e atestados médicos falsos

Aumento de fraudes com documentos médicos compromete a segurança da saúde pública e expõe dados de profissionais da medicina

Foto: g1 Telegram se torna 'plataforma oficial' de venda de atestados e receitas falsas. (Foto: g1) Foto: g1 Receita falsa obtida pela reportagem é assinada por médica mineira (Foto: g1) Foto: Reprodução print google receitas falsas (Foto: Reprodução) Foto: g1 Meta lucra com anúncios no Facebook e Instagram (Foto: g1) Foto: Arte g1/Ergon Cugler (Foto: Arte g1/Ergon Cugler) Foto: g1 No TikTok, a divulgação é feita pelos comentários. (Foto: g1) Foto: g1 Usuários divulgam canais de vendas de receitas e atestados falsos no X. (Foto: g1)
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  • Anúncios de documentos médicos falsos no Telegram aumentaram mais de 20 vezes desde 2018.
  • Atualmente, existem 27 mil usuários ativos em comunidades de venda desses documentos.
  • Médicos têm seus dados utilizados para fraudes, como no caso do pediatra João Batista, que recebeu uma carta questionando atestados que não assinou.
  • O Conselho Federal de Medicina (CFM) criou um sistema de rastreamento de atestados, mas sua implementação foi suspensa por decisão judicial.
  • A Anvisa está testando um sistema nacional para controle de receitas de medicamentos, visando aumentar a segurança e reduzir fraudes.

Um levantamento inédito revela que anúncios de documentos médicos falsos no Telegram aumentaram mais de 20 vezes desde 2018, com 27 mil usuários ativos em comunidades de venda. O problema se agrava com a exposição de dados de médicos, que têm seus nomes utilizados em fraudes sem seu conhecimento.

O pediatra João Batista, de 72 anos, recebeu uma carta do Conselho Regional de Medicina (CRM) de São Paulo questionando a emissão de atestados médicos que ele nunca assinou. Essa situação não é isolada; muitos médicos no Brasil enfrentam o mesmo problema, com seus dados sendo utilizados para a criação de documentos falsos. Grupos nas redes sociais, especialmente no Telegram, comercializam receitas, laudos e atestados, muitas vezes com informações de médicos reais.

Dados do pesquisador Ergon Cugler, do CNPq, mostram que o número de publicações sobre documentos médicos falsos saltou de 686 em 2018 para mais de 15 mil em 2025, com visualizações que já ultrapassam meio milhão. O comércio é facilitado por bots automatizados e perfis falsos, permitindo pagamentos rápidos e acesso imediato aos documentos.

Ações e Reações

O Conselho Federal de Medicina (CFM) criou um sistema de rastreamento de atestados médicos, mas a implementação foi suspensa por decisão judicial. O movimento que contestou a plataforma argumenta que ela poderia criar um monopólio e afetar empresas privadas. O CFM, por sua vez, defende que a ferramenta é essencial para combater fraudes.

Além disso, a Anvisa está testando um sistema nacional para controle de receitas de medicamentos, que visa aumentar a segurança e reduzir fraudes. A expectativa é que, ao final do ano, as farmácias consigam validar automaticamente as receitas digitais.

O aumento da falsificação de documentos médicos representa um risco real à saúde pública, pois pacientes podem obter medicamentos controlados sem supervisão médica. Especialistas alertam que essa prática não apenas prejudica a classe médica, mas também mina a confiança nas instituições de saúde.

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