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Os riscos da corrida: o que ninguém fala

Tragédias que expõem a vulnerabilidade dos corredores de rua

(Imagem: Portal Tela)
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Na manhã de dezesseis de agosto, um corredor de vinte e nove anos foi atropelado na orla da Pituba durante um treino coletivo. O motorista, Cleydson Cardoso Costa Filho, estava embriagado, perdeu o controle do veículo, subiu a calçada e atingiu o atleta.

  • O impacto causou fraturas em ambas as pernas, sendo necessária a amputação da perna direita.
  • O corredor, estudante de Educação Física, permanece internado em estado grave, mas estável.
  • A comunidade de corredores se mobilizou em solidariedade, realizando homenagens e pedindo justiça.
  • O caso destaca os riscos da corrida em vias urbanas, onde atletas compartilham espaço com veículos em alta velocidade.
  • A tragédia não é isolada; outros atropelamentos de corredores já ocorreram em diversas localidades, gerando protestos por mais segurança nas ruas.

Na manhã de 16 de agosto, a rotina da orla da Pituba foi interrompida por uma cena trágica. O corredor Emerson Pinheiro, de 29 anos, foi atropelado durante um treino coletivo que reunia dezenas de atletas. O motorista, identificado como Cleydson Cardoso Costa Filho, apresentava sinais de embriaguez, perdeu o controle do carro, subiu a calçada e atingiu Emerson.

O impacto resultou em fraturas nas duas pernas — uma delas exposta — e na necessidade de amputação da perna direita. Emerson, estudante de Educação Física e apaixonado por esportes, permanece internado em estado grave, mas estável. Nas horas seguintes, a comunidade da corrida se mobilizou em atos de solidariedade, com homenagens e pedidos por justiça.

**A face oculta da corrida de rua**

Se por um lado a corrida virou sinônimo de saúde, performance e superação, por outro, pouco se fala sobre os riscos que cercam a prática em vias urbanas. Casos como o de Emerson colocam em xeque a narrativa de que a corrida é apenas saúde e bem-estar. A modalidade é, sim, transformadora, mas também expõe corredores a riscos reais, muitas vezes ignorados no discurso “wellness”.

Corredores compartilham calçadas, avenidas e ciclovias com carros, motos e ônibus em alta velocidade, muitas vezes sem proteção adequada. Além da exposição a motoristas alcoolizados ou imprudentes, há relatos de furtos, quedas em buracos, falta de iluminação e ausência de sinalização.

**Mobilização e cobrança por segurança**

A tragédia com Emerson não é caso isolado. Outros corredores já foram vítimas de atropelamentos semelhantes em treinos e provas de rua no Brasil e mundo afora. Para além das corridas oficiais, onde a interdição das vias garante segurança, os treinos diários seguem expostos à negligência do trânsito.

Na Barra, em Salvador, o corredor Junior Cavalcante organizou um ato pedindo mais ações dos órgãos públicos. A comunidade planeja novos treinos coletivos, agora também como forma de protesto, cobrando campanhas de conscientização, mais fiscalização e políticas que protejam a vida de quem corre.

**Não foi um caso isolado**

A tragédia na Pituba faz parte de um histórico preocupante de acidentes envolvendo corredores no Brasil e no exterior:

  • São Paulo, agosto de 2014 – O corredor veterano Álvaro Teno (67) morreu ao ser atropelado dentro da Cidade Universitária da USP. Outros três atletas ficaram feridos, entre eles a médica Eloísa Pires do Prado, que sofreu múltiplas fraturas e passou por diversas cirurgias. Testemunhas relataram que o motorista estaria embriagado.
  • Taguaí (SP), fevereiro de 2024 – Duas atletas, Benedita Edna dos Santos (42) e Márcia Souza (35), morreram após serem atropeladas por um carro enquanto treinavam às margens de uma rodovia. Um homem de 41 anos também foi atingido e permanece em recuperação. O caso foi registrado como homicídio e lesão corporal culposos, mas ninguém foi preso.
  • Paris, outubro de 2024 – A influenciadora brasileira Fernanda Carolina Lind Silva (31), natural de Santos, foi atropelada e morta enquanto corria em Saint-Cloud. Ela tinha saído para correr e estava atravessando a faixa de pedestre quando foi atingida. Fernanda, que morava na França há seis anos, compartilhava sua rotina de treinos e dicas culturais nas redes sociais, onde tinha mais de 50 mil seguidores.

Cada um desses casos evidencia que os riscos não são exceções: eles fazem parte de um padrão trágico que associa a prática esportiva ao descaso com a segurança viária.

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