- A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Meteorológica Mundial publicaram um relatório sobre estresse térmico no trabalho, o primeiro desde 1969.
- O documento destaca a necessidade urgente de proteger trabalhadores, já que as ondas de calor estão mais frequentes e severas devido às mudanças climáticas.
- Milhões de trabalhadores enfrentam riscos à saúde, como acidente vascular cerebral e falência renal, com aumento de acidentes de trabalho durante ondas de calor.
- Na Europa, a Suíça registrou um aumento de 7% nos acidentes de trabalho quando as temperaturas superaram 30°C em 2023.
- Medidas de proteção já estão sendo implementadas em alguns países, como a proibição de trabalho nas horas mais quentes na Itália e a suspensão de atividades de construção na Suíça.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Meteorológica Mundial publicaram um novo relatório que destaca a urgente necessidade de proteção para trabalhadores expostos ao estresse térmico. O documento, o primeiro sobre o tema desde 1969, revela que as ondas de calor estão se tornando mais frequentes e severas devido às mudanças climáticas.
O relatório indica que milhões de trabalhadores enfrentam riscos à saúde e à produtividade devido ao calor extremo. O diretor de ambiente, clima e saúde da OMS, Rüdiger Krech, enfatiza que o aumento da temperatura corporal acima de 38°C pode levar a problemas graves, como acidente vascular cerebral e falência renal. A adaptação é essencial, já que as ondas de calor não são mais eventos raros.
Dados recentes mostram que a última década foi a mais quente já registrada, com 2024 se projetando como o ano mais quente. Em várias regiões da Europa, temperaturas acima de 40°C se tornaram comuns, enquanto em partes da África e do Oriente Médio, podem alcançar 50°C. O impacto do calor não se limita à saúde; a produtividade também é afetada, com uma queda de 2% para cada aumento de 1°C acima de 20°C.
Aumento de Acidentes
O relatório também aponta um aumento nos acidentes de trabalho durante as ondas de calor. Na Europa, durante a onda de calor de 2023, a Suíça registrou um aumento de 7% nos acidentes quando as temperaturas superaram 30°C. Fatores como dificuldade de concentração e falta de sono foram identificados como causas principais.
Alguns países europeus já estão implementando medidas para proteger os trabalhadores. O governo italiano, por exemplo, assinou um decreto de emergência que proíbe o trabalho nas horas mais quentes do dia. Na Suíça, a construção foi suspensa em cantões como Genebra e Ticino, uma decisão apoiada pelo maior sindicato do país, Unia.
Adaptação em Escolas
Além dos locais de trabalho, o relatório da OMS alerta que crianças e idosos também estão em risco durante as ondas de calor. Na Alemanha, escolas podem declarar “Hitzefrei” quando as temperaturas ultrapassam um certo limite. No entanto, com o aumento da frequência de temperaturas elevadas, as escolas hesitam em interromper as aulas.
A OMS sugere que a adaptação deve envolver todos os setores, incluindo governos, empregadores e autoridades de saúde e educação. Rüdiger Krech propõe que as escolas considerem uniformes mais adequados ao calor. No entanto, a adaptação das infraestruturas exigirá investimentos significativos, que muitos governos estão relutantes em priorizar. Ele alerta que ignorar essa necessidade pode resultar em perdas de produtividade e saúde a longo prazo.
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