- A qualidade do fornecimento de energia elétrica na região metropolitana de São Paulo, sob a responsabilidade da Enel SP, piorou significativamente nos últimos anos.
- O tempo médio sem energia aumentou de cerca de sete horas anuais em 2021 para quase 22 horas em 2024.
- O Jardim Germânia registrou até 66 horas sem luz, enquanto o Jardim São Luís passou de sete para 51 horas sem fornecimento por ano.
- Moradores têm utilizado geradores devido às frequentes quedas de energia. A Enel SP reconhece que as mudanças climáticas e o aumento de tempestades impactaram o serviço.
- A empresa anunciou um investimento de R$ 10,4 bilhões para modernizar a rede elétrica e melhorar a resiliência do sistema. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) intensificou a fiscalização e aplicou multas à Enel.
A qualidade do fornecimento de energia elétrica na região metropolitana de São Paulo, sob a responsabilidade da Enel SP, sofreu uma drástica deterioração nos últimos anos. Após um período de melhorias, onde o tempo médio sem energia caiu para cerca de 7 horas anuais em 2021, esse número triplicou, atingindo quase 22 horas em 2024.
Áreas como o Jardim Germânia enfrentaram situações extremas, com até 66 horas sem luz. O levantamento realizado pela empresa Daimon, a pedido da Folha, analisou dados da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e revelou que, entre 2020 e 2024, nove dos quinze locais com piora no serviço estão na zona sul da capital. O Jardim São Luís, por exemplo, viu o tempo sem energia saltar de 7 para 51 horas por ano.
Moradores têm recorrido a geradores para lidar com as frequentes quedas de energia. Rildo Barbosa Vieira, proprietário de um mercadinho, relatou que já ficou cinco dias sem fornecimento. A situação é semelhante em Embu das Artes, onde o tempo médio sem luz foi de 54 horas no ano passado. Anderson Moura, residente em Embu, destacou que a falta de infraestrutura adequada e a fiação antiga contribuem para a instabilidade.
A Enel SP, por sua vez, reconhece que a mudança climática tem impactado a qualidade do serviço. O diretor-geral da Daimon, Carlos Barioni, apontou que o aumento no tempo sem energia está relacionado ao aumento de tempestades na região. Em resposta, a Enel anunciou um investimento recorde de R$ 10,4 bilhões para modernizar a rede elétrica e melhorar a resiliência do sistema.
A Aneel também intensificou a fiscalização sobre a Enel, aplicando multas e ajustando regras de compensação para os consumidores. A empresa já contratou 1.200 novos profissionais e dobrou o volume de podas preventivas em relação ao ano anterior. Apesar das dificuldades, a Enel afirma que o desempenho já apresenta sinais de melhora, com um aumento na agilidade de restabelecimento do serviço após interrupções.
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