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São Paulo registra aumento de três vezes no tempo sem luz em quatro anos

Moradores enfrentam apagões extremos em São Paulo, com áreas sem energia por até 66 horas, enquanto Enel SP promete investimentos de R$ 10,4 bilhões

O produtor musical Anderson Moura, 37, mora em Embu das Artes e comprou um gerador para driblar as quedas de energia; tempo sem luz piorou na última década (Foto: Allison Sales/Folhapress)
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  • A qualidade do fornecimento de energia elétrica na região metropolitana de São Paulo, sob a responsabilidade da Enel SP, piorou significativamente nos últimos anos.
  • O tempo médio sem energia aumentou de cerca de sete horas anuais em 2021 para quase 22 horas em 2024.
  • O Jardim Germânia registrou até 66 horas sem luz, enquanto o Jardim São Luís passou de sete para 51 horas sem fornecimento por ano.
  • Moradores têm utilizado geradores devido às frequentes quedas de energia. A Enel SP reconhece que as mudanças climáticas e o aumento de tempestades impactaram o serviço.
  • A empresa anunciou um investimento de R$ 10,4 bilhões para modernizar a rede elétrica e melhorar a resiliência do sistema. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) intensificou a fiscalização e aplicou multas à Enel.

A qualidade do fornecimento de energia elétrica na região metropolitana de São Paulo, sob a responsabilidade da Enel SP, sofreu uma drástica deterioração nos últimos anos. Após um período de melhorias, onde o tempo médio sem energia caiu para cerca de 7 horas anuais em 2021, esse número triplicou, atingindo quase 22 horas em 2024.

Áreas como o Jardim Germânia enfrentaram situações extremas, com até 66 horas sem luz. O levantamento realizado pela empresa Daimon, a pedido da Folha, analisou dados da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e revelou que, entre 2020 e 2024, nove dos quinze locais com piora no serviço estão na zona sul da capital. O Jardim São Luís, por exemplo, viu o tempo sem energia saltar de 7 para 51 horas por ano.

Moradores têm recorrido a geradores para lidar com as frequentes quedas de energia. Rildo Barbosa Vieira, proprietário de um mercadinho, relatou que já ficou cinco dias sem fornecimento. A situação é semelhante em Embu das Artes, onde o tempo médio sem luz foi de 54 horas no ano passado. Anderson Moura, residente em Embu, destacou que a falta de infraestrutura adequada e a fiação antiga contribuem para a instabilidade.

A Enel SP, por sua vez, reconhece que a mudança climática tem impactado a qualidade do serviço. O diretor-geral da Daimon, Carlos Barioni, apontou que o aumento no tempo sem energia está relacionado ao aumento de tempestades na região. Em resposta, a Enel anunciou um investimento recorde de R$ 10,4 bilhões para modernizar a rede elétrica e melhorar a resiliência do sistema.

A Aneel também intensificou a fiscalização sobre a Enel, aplicando multas e ajustando regras de compensação para os consumidores. A empresa já contratou 1.200 novos profissionais e dobrou o volume de podas preventivas em relação ao ano anterior. Apesar das dificuldades, a Enel afirma que o desempenho já apresenta sinais de melhora, com um aumento na agilidade de restabelecimento do serviço após interrupções.

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