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Rio registra 30% das equipes de saúde da família com mais de 4.500 pacientes cadastrados

Falta de atendimento nas equipes de saúde da família gera complicações graves para moradores, enquanto prefeitura planeja remanejamento de equipes

Falta de acompanhamento da Equipe Mangueiral, de Campo Grande (Foto: Ana Branco)
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  • A cidade do Rio de Janeiro enfrenta superlotação nas equipes de saúde da família, comprometendo o atendimento à população.
  • Monique da Costa, de 39 anos, e sua família não recebem visitas de agentes comunitários há meses, resultando em complicações de saúde.
  • O Centro Municipal de Saúde Carlos Alberto Nascimento deveria atender até quatro mil e quinhentas pessoas, mas tem uma demanda de seis mil duzentas e vinte e seis.
  • O secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, reconhece que o ideal seria que cada equipe atendesse até três mil pessoas e admite que a cobertura do programa de saúde da família aumentou de quarenta por cento para oitenta e um por cento.
  • A prefeitura promete remanejamento e criação de novas equipes, mas a população ainda aguarda soluções efetivas.

A cidade do Rio de Janeiro enfrenta uma grave crise nas equipes de saúde da família, com superlotação que compromete o atendimento à população. Monique da Costa, de 39 anos, é um exemplo dessa realidade. Sua família, que já contava com acompanhamento regular, não recebe visitas de agentes comunitários há meses, resultando em complicações de saúde.

O Centro Municipal de Saúde (CMS) Carlos Alberto Nascimento, onde Monique está cadastrada, deveria atender até 4.500 moradores, mas enfrenta uma demanda de 6.226 pessoas. Essa situação é comum em 30% das 1.327 equipes de saúde do município, conforme dados da Secretaria Municipal de Saúde. A equipe Bosque da Barra, por exemplo, tem 19.924 inscritos, enquanto outras equipes na Barra da Tijuca e Recreio também apresentam números alarmantes.

O secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, admite que o ideal seria que cada equipe atendesse até três mil pessoas, mas a realidade é bem diferente. Ele atribui parte do problema à redução de equipes durante a gestão anterior e defende que a cobertura do programa de saúde da família aumentou de 40% para 81% desde então. No entanto, a população continua a sofrer com a falta de atendimento.

Casos como o de Monique são frequentes. Seu pai, Manoel, faleceu após complicações de saúde que poderiam ter sido evitadas com acompanhamento adequado. Sua filha, Fernanda, também enfrentou problemas durante a gravidez, que resultaram em uma internação tardia. A falta de visitas regulares de profissionais de saúde é um fator que agrava a situação.

Na Vila Kennedy, a manicure Lidiane Nascimento, de 30 anos, relata dificuldades semelhantes. Apesar de sua equipe ter apenas dois mil cadastrados, ela aguarda há mais de um ano por uma consulta oftalmológica. A situação é ainda mais crítica em áreas como o Recreio dos Bandeirantes, onde a única unidade de saúde não atende adequadamente a uma população de mais de 300 mil pessoas.

Profissionais de saúde também expressam preocupação com a sobrecarga de trabalho. Médicos relatam estresse e exaustão devido à alta demanda e à falta de recursos. O presidente do Sindicato dos Médicos, Alexandre Telles, destaca que a entidade tem solicitado o aumento do número de equipes para melhorar a situação.

A prefeitura promete remanejamento e a criação de novas equipes. Soranz afirma que três clínicas estão em obras e outras três estão em planejamento. Contudo, a população continua a esperar por soluções efetivas para um sistema de saúde que já apresenta sinais de colapso.

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