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Bolsonaro autoriza distribuição de proxalutamida durante a pandemia

Bolsonaro distribuiu proxalutamida a aliados, ignorando riscos e falta de comprovação científica, gerando controvérsia e preocupação na saúde pública

O ex-presidente Jair Bolsonaro e o tenente-coronel Mauro Cid (Foto: Dida Sampaio/Estadão)
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  • O ex-presidente da República Jair Bolsonaro mandou distribuir a proxalutamida para aliados durante a pandemia de covid-19.
  • O medicamento não possui registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e está em fase de testes clínicos.
  • A substância, desenvolvida para tratar tumores hormonais, não tem eficácia comprovada contra a covid-19.
  • Teorias não validadas sugeriram que a proxalutamida poderia reduzir a atividade da enzima TMPRSS2, mas estudos independentes não conseguiram reproduzir esses resultados.
  • O uso do medicamento pode causar efeitos colaterais significativos, incluindo problemas hepáticos e cardiovasculares.

O então presidente Jair Bolsonaro mandou distribuir a proxalutamida para aliados durante a pandemia de covid-19, conforme revelou o Estadão. O medicamento, que não possui registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), está em fase de testes clínicos e não tem eficácia comprovada contra a doença.

Desenvolvida inicialmente para tratar tumores hormonais, como o câncer de próstata, a proxalutamida atua bloqueando a ação de hormônios masculinos, como a testosterona. O infectologista Alexandre Naime, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), explica que a substância se liga ao receptor androgênico, suprimindo a sinalização androgênica essencial para o crescimento de células tumorais.

Durante a pandemia, surgiram teorias sobre a possibilidade de a proxalutamida reduzir a atividade da enzima TMPRSS2, que o coronavírus utiliza para invadir células humanas. No entanto, essa hipótese nunca foi validada por estudos científicos rigorosos. Naime destaca que a divulgação irresponsável de resultados preliminares levou a uma falsa esperança de cura para a covid-19.

Pesquisas independentes não conseguiram reproduzir os resultados iniciais, sugerindo que os dados apresentados eram metodologicamente falhos. Atualmente, não há recomendações de sociedades médicas ou aprovação de agências regulatórias, como o FDA e a EMA, para o uso da proxalutamida no tratamento da covid-19.

Além disso, o uso do medicamento pode acarretar efeitos colaterais significativos, como ginecomastia, queda da libido e problemas hepáticos. Naime alerta que também existem relatos de complicações cardiovasculares, aumentando o risco de trombose em tratamentos prolongados.

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