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Pacientes renais em Sudão enfrentam dificuldades para sobreviver em meio à guerra

Pacientes renais no Sudão enfrentam morte iminente devido à escassez de diálise e centros médicos sobrecarregados pela guerra.

Um paciente renal recebe diálise em um hospital em Kassala, Sudão, com apoio da OCHA (Foto: Reprodução)
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  • A guerra no Sudão, iniciada em abril de 2023, causou uma grave crise humanitária e o colapso do sistema de saúde.
  • Pacientes renais enfrentam dificuldades para receber diálise, com relatos de mortes por atrasos no tratamento.
  • O Centro de Diálise Jumaih, em Kordofán do Norte, reduziu as sessões de três para uma por semana devido à falta de recursos.
  • Aproximadamente 80% dos centros de saúde estão inativos, e os que permanecem abertos enfrentam ataques e escassez de suprimentos.
  • Organizações de caridade tentam ajudar, mas a demanda é maior que a capacidade, e a comunidade internacional é chamada a agir urgentemente.

A guerra no Sudão, que começou em abril de 2023, devastou o sistema de saúde do país, resultando em uma crise humanitária severa. Pacientes renais enfrentam dificuldades extremas para receber diálise, com relatos de mortes devido a atrasos no tratamento. A escassez de recursos e a pressão sobre os poucos centros médicos que permanecem abertos têm agravado a situação.

Sarah Mohamed, de 55 anos, é uma das muitas vítimas desse cenário. Antes da guerra, ela realizava três sessões semanais de diálise no Centro de Diálise Jumaih, em Kordofán do Norte. Com o conflito, as sessões foram reduzidas a uma única por semana, devido à falta de líquidos e equipamentos. “Estou exausta e com medo de não viver o suficiente para ver meus filhos crescerem”, desabafa.

A situação é crítica para os cerca de 8.000 pacientes de diálise no país. Cerca de 80% dos centros de saúde pararam de funcionar, e os que ainda estão ativos enfrentam constantes ataques e falta de suprimentos. O Centro Nacional de Doenças e Cirurgia Renal fez um apelo urgente após o fechamento de várias unidades, mas a ajuda ainda é insuficiente.

Hawaa al Nair, de 52 anos, também sofre com a falta de tratamento. Após fugir de Jartum, ela se deparou com a mesma realidade em Al Abyad. Sua irmã, que também era paciente renal, faleceu por não conseguir receber diálise. “A guerra paralisou tudo”, lamenta. A escassez de recursos financeiros e a dependência de ajuda de familiares e ONGs têm sido uma constante.

Pressão sobre os Centros de Diálise

O Centro de Diálise Jumaih, que atende a muitos pacientes deslocados, está sobrecarregado. Apenas 15 das 36 máquinas estão operacionais, e os médicos trabalham sob pressão extrema. Ayman Abdullah, médico residente, relata que as sessões foram reduzidas de três para duas por semana, e a duração caiu de oito para três horas. “Isso não é tratamento, é um esforço desesperado para manter os pacientes vivos”, afirma.

Organizações de caridade, como a Associação de Pacientes Renais, tentam suprir as carências, mas a demanda é muito maior que a capacidade. A guerra aumentou o número de pacientes, e muitos estão em condições críticas. O secretário geral da ONG Tawasal, Hanafi Karrar, destaca que as histórias de pacientes são devastadoras, com famílias vendendo bens para comprar medicamentos.

Recentemente, o primeiro-ministro Kamel Idris anunciou planos para reabilitar centros de saúde, mas as promessas podem chegar tarde demais para muitos que já enfrentam a morte iminente. A comunidade internacional é chamada a agir urgentemente para fornecer apoio e recursos.

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