- A COP30, marcada para novembro, busca redefinir a segurança alimentar.
- A produção agrícola, antes vista como solução, agora enfrenta críticas por gerar excesso e problemas globais.
- O sistema agroalimentar atual apresenta uma separação entre agricultura, biodiversidade e saúde, resultando em uma dieta monótona.
- A América Latina se destaca na inovação, com países como Brasil, Argentina e Colômbia desenvolvendo bioinsumos para substituir insumos químicos.
- A segurança alimentar do século 21 deve priorizar práticas que promovam saúde humana, bem-estar animal e preservação de ecossistemas.
A COP30, que ocorrerá em novembro, representa uma oportunidade crucial para redefinir a segurança alimentar. Historicamente, essa segurança foi ligada ao aumento da produção agrícola, mas hoje, o excesso na produção e no consumo se tornou uma ameaça significativa. As inovações que antes ajudaram a reduzir a fome agora contribuem para problemas globais.
O sistema agroalimentar atual é caracterizado por uma tríplice separação: a agricultura se distanciou da biodiversidade, a pecuária industrial desconectou os animais de suas fontes de alimentação e a alimentação se desvinculou da saúde. Essa separação resulta em uma monotonia que se reflete na escassez de diversidade alimentar. Apesar de existirem mais de 7.000 produtos comestíveis, 75% da dieta global é composta por apenas seis itens: soja, milho, trigo, cana-de-açúcar, arroz e batata.
Além disso, a produção animal enfrenta uma homogeneidade preocupante, com práticas que prejudicam a saúde humana, como o aumento da resistência antimicrobiana. A Organização Mundial da Saúde já sinalizou que as chamadas “superbactérias” são uma das principais preocupações atuais. A alimentação também se tornou homogênea, com um aumento na oferta de ultraprocessados, que muitas vezes não podem ser considerados alimentos.
Mudanças Necessárias
A boa notícia é que a América Latina está emergindo como um centro de inovação, desenvolvendo bioinsumos que podem substituir os métodos da Revolução Verde. Países como Brasil, Argentina e Colômbia estão na vanguarda dessa transformação. Agricultores brasileiros estão começando a questionar sua dependência de insumos químicos, que prejudicam a saúde do solo e a produtividade.
O sistema agroalimentar é um reflexo da economia do excesso, que não se opõe ao crescimento econômico, mas critica o crescimento que compromete o bem-estar social. A segurança alimentar do século 21 deve se basear na abundância da vida, priorizando práticas que promovam a saúde humana, o bem-estar animal e a preservação dos serviços ecossistêmicos essenciais.
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