- Comunidades indígenas e quilombolas enfrentam uma crise de saúde mental, evidenciada por suicídios em comunidades Guarani e a criação de projetos de apoio psicossocial em quilombos.
- No Quilombo Bitiua, em Bacuri, a saúde mental é vista como um cuidado coletivo, com práticas ancestrais como rezas e rituais.
- A liderança quilombola Raimundo Magno Cardoso Nascimento destaca a importância das benzedeiras e parteiras na transmissão de saberes de cura.
- A pesquisadora Ana Paula da Silva aponta que a violência estrutural, como o racismo, afeta a saúde mental dessas comunidades, além da influência de redes sociais e alimentação.
- O projeto Mate Masie, em Alagoas, busca integrar saberes tradicionais com a atenção psicossocial, promovendo um atendimento compartilhado.
Recentes eventos em comunidades indígenas e quilombolas revelam uma crise de saúde mental que exige atenção urgente. Suicídios em comunidades Guarani e a criação de projetos de apoio psicossocial em quilombos destacam a necessidade de integrar saberes tradicionais com políticas públicas.
No Quilombo Bitiua, em Bacuri (MA), a saúde mental é entendida como um cuidado coletivo e espiritual. Práticas ancestrais, como rezas e rituais, são fundamentais para enfrentar o adoecimento psíquico. Raimundo Magno Cardoso Nascimento, liderança quilombola, enfatiza a importância do trabalho das benzedeiras e parteiras, que transmitem saberes de cura. Para Otto Payayá, indígena do povo Payayá, a saúde mental está ligada à escuta e ao diálogo, ressaltando que o cuidado envolve um processo que vai além do sintoma.
Entretanto, a pressão social e histórica sobre essas comunidades tem gerado um aumento nos casos de suicídio. Em 2023, duas mortes em aldeias Guarani no Rio de Janeiro levaram líderes a buscar estratégias de prevenção. No Pará, um projeto de apoio psicossocial mobilizou profissionais para identificar e tratar questões de adoecimento, mas Raimundo Magno reconhece a precariedade do sistema público de saúde.
Fatores de Adoecimento
A pesquisadora Ana Paula da Silva aponta que a violência estrutural, como o racismo, impacta diretamente a saúde mental de indígenas e quilombolas. Além disso, a influência das redes sociais e a substituição de alimentos tradicionais por ultraprocessados têm contribuído para o isolamento e a fragilidade dos vínculos comunitários.
No Quilombo Bitiua, Ana Cláudia Lisboa Mendes, educadora, destaca que a saúde mental está intimamente ligada à identidade e ao pertencimento. Sua experiência de deslocamento e racismo em Belém reforça a importância de resgatar saberes e práticas locais.
Integração de Saberes
Em Alagoas, o projeto Mate Masie, que valoriza saberes tradicionais, foi criado a partir de demandas das comunidades quilombolas. Tereza Cristina, supervisora da Secretaria de Saúde, explica que o programa busca integrar práticas de cura locais com a atenção psicossocial, promovendo um atendimento compartilhado.
A psiquiatra Laura Eiko Uyeno ressalta que os saberes tradicionais são essenciais para o cuidado em saúde mental. A coexistência entre práticas tradicionais e acadêmicas pode resultar em soluções mais eficazes para os desafios enfrentados por essas comunidades. O fortalecimento das práticas tradicionais e a valorização da cultura local são fundamentais para enfrentar a crise de saúde mental em territórios indígenas e quilombolas.
Entre na conversa da comunidade