- Cerca de 140 milhões de pessoas no mundo têm transtorno bipolar, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
- No Brasil, a condição afeta entre 1% e 2,5% da população, principalmente jovens de 16 a 25 anos.
- O transtorno bipolar pode aumentar o risco de morte mais do que o tabagismo, conforme estudos da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.
- O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) também é reconhecido pela OMS e afeta a região frontal do cérebro, impactando atenção, planejamento e controle de impulsos.
- Estima-se que 2 milhões de brasileiros tenham TDAH, mas muitos não sabem que possuem o transtorno, pois os sintomas podem se confundir com os da bipolaridade.
- Os sintomas de TDAH são contínuos desde a infância, enquanto na bipolaridade aparecem em fases alternadas de euforia e depressão.
- A psicoterapeuta Sandra Ciraudo explica que, no TDAH, a impulsividade e a dificuldade de concentração são estáveis desde cedo, enquanto na bipolaridade surgem em episódios clínicos.
- A impulsividade no TDAH é pontual e crônica, enquanto na bipolaridade, episódios de mania ou hipomania duram dias ou semanas, com aumento de energia e autoestima.
- Um diagnóstico incorreto pode prejudicar o tratamento e agravar sintomas, reforçando estigmas.
- A avaliação cuidadosa do histórico de vida e dos sintomas é fundamental para garantir o tratamento adequado.
- O diagnóstico precoce e o acompanhamento especializado são essenciais para melhorar a saúde mental e a qualidade de vida dos pacientes.
Cerca de 4% da população adulta mundial sofre de transtorno bipolar e, segundo a Associação Brasileira de Transtorno Bipolar (ABTB), essa prevalência vale também para o Brasil. Já o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é ainda mais comum: de 5% a 8% da população mundial convive com a condição, que prejudica funções como atenção, planejamento e controle de impulsos.
Apesar de diferentes, os dois transtornos compartilham sintomas que podem confundir pacientes, familiares e até profissionais de saúde. Essa confusão leva, muitas vezes, a diagnósticos equivocados e tratamentos inadequados.
O TDAH é um transtorno do desenvolvimento, que geralmente começa na infância, em metade dos casos, antes dos 7 anos de idade. Costuma se manifestar por hiperatividade, impulsividade e dificuldades de concentração, impactando principalmente o desempenho escolar.
Já o transtorno bipolar costuma aparecer mais tarde, na adolescência ou início da vida adulta. Ele é caracterizado por oscilações intensas de humor, com fases de euforia e energia elevada (mania ou hipomania) alternadas com períodos de profunda tristeza e retraimento (depressão).
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*(Dra. Sandra Ciraudo – Médica Psicoterapeuta)*
Segundo a Dra. Sandra Ciraudo, especialista em saúde mental, “no TDAH, os sintomas como impulsividade e hiperatividade são estáveis e presentes desde cedo. Já na bipolaridade, eles aparecem em episódios bem delimitados, com começo, meio e fim”.
**Sintomas que se confundem**
Os pontos de interseção entre os dois transtornos ajudam a explicar a dificuldade no diagnóstico, especialmente em crianças e adolescentes:
- Impulsividade, que no bipolar pode lembrar comportamentos de mania.
- Hiperatividade, semelhante à agitação da fase maníaca.
- Dificuldade de concentração, presente tanto em quem tem TDAH quanto em bipolares em crise.
- Oscilações rápidas de humor, que no TDAH são passageiras, mas podem ser confundidas com a instabilidade da bipolaridade.
A diferença central está no padrão temporal: no TDAH os sintomas são contínuos, enquanto na bipolaridade eles aparecem em fases.
**Riscos do diagnóstico errado**
Quando há confusão, o impacto pode ser grave. O uso de medicamentos estimulantes para TDAH, por exemplo, pode desencadear episódios maníacos em quem tem bipolaridade. Por outro lado, estabilizadores de humor usados na bipolaridade podem mascarar sintomas do TDAH, sem tratar a causa.
“Ao errar no diagnóstico, atrasamos o tratamento eficaz e aumentamos o sofrimento do paciente. Isso pode levar a frustrações, conflitos familiares, baixa autoestima e até maior risco de abuso de substâncias”, alerta a Dra. Sandra Ciraudo.
**Quando os dois transtornos andam juntos**
Não é raro que uma pessoa tenha os dois diagnósticos ao mesmo tempo. Estudos apontam que 10% a 20% dos pacientes com TDAH também têm bipolaridade, e até 30% dos bipolares apresentam sintomas de TDAH desde a infância.
Essa associação costuma estar ligada a quadros mais graves, com maior impulsividade, risco de vícios e dificuldades para manter a adesão ao tratamento.
Como diferenciar e tratar
Para distinguir os dois quadros, é fundamental uma avaliação clínica detalhada, que leve em conta:
- histórico dos sintomas desde a infância;
- duração e padrão dos episódios;
- entrevistas com familiares;
- uso de escalas e instrumentos de apoio, como testes de atenção ou de humor.
Segundo a Dra. Sandra Ciraudo, o manejo deve ser feito em etapas: “Primeiro estabilizamos o humor, porque as crises da bipolaridade oferecem maior risco clínico. Só depois avaliamos o tratamento do TDAH, que pode incluir medicação, terapia cognitivo-comportamental e estratégias de organização do dia a dia.”
**O papel da família e dos amigos**
O apoio de familiares e amigos também é parte essencial da terapia. Aprender a reconhecer sinais de alerta, incentivar a adesão ao tratamento, ajudar na rotina e, principalmente, oferecer acolhimento sem julgamentos, são atitudes que fazem diferença.
“É importante entender que muitos comportamentos vêm do transtorno e não de preguiça ou falta de caráter”, lembra a Dra. Sandra.
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