- As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil, com cerca de 400 mil óbitos anuais.
- No Dia Mundial do Coração, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) apresentou novas diretrizes para a prevenção cardiovascular.
- A SBC recomenda o uso de medicamentos como semaglutida e tirzepatida para tratar a obesidade, além de novos limites para a pressão arterial e colesterol.
- O risco de infarto é 13% maior às segundas-feiras, devido ao estresse do retorno ao trabalho.
- A solidão aumenta o risco de problemas cardíacos, sendo importante cultivar laços sociais para a saúde do coração.
As doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte no Brasil, responsáveis por cerca de 400 mil óbitos todos os anos. Nesta segunda-feira, é celebrado o Dia Mundial do Coração (29/9). E, no congresso anual que foi realizado neste mês, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) apresentou novas diretrizes que mudam a forma de encarar a prevenção.
Mas não é só de exames e remédios que se cuida do coração. Alimentação, laços sociais — e até o dia da semana — também entram nessa equação.
O que muda
Pela primeira vez, a SBC recomenda oficialmente medicamentos como semaglutida e tirzepatida – que são os princípios ativos do Ozempic e do Mounjaro, respectivamente – no tratamento da obesidade, quando mudanças de estilo de vida não forem suficientes. Reduzir apenas 5% do peso já melhora fatores cardiovasculares.
Outra mudança importante: o famoso “12 por 8” deixou de ser considerado normal. Agora, para não entrar na faixa de pré-hipertensão, a pressão deve estar abaixo de 120×80 mmHg.
Também foram definidos novos limites para o colesterol ruim (LDL), ajustados ao perfil de cada paciente:
- Baixo risco: < 115 mg/dL
- Intermediário: < 100 mg/dL
- Alto risco: < 70 mg/dL
- Muito alto risco: < 50 mg/dL
- Risco extremo: < 40 mg/dL
Na prática: se os exames mostram níveis acima do recomendado, é hora de procurar um médico para avaliar uso de estatinas e ajustes de estilo de vida.
E atenção: em casos de dor no peito, o eletrocardiograma deve ser feito e interpretado em até 10 minutos após a chegada ao hospital. A dor pode irradiar do queixo ao estômago, acompanhada de mal-estar e suor.
Segunda-feira: o dia mais perigoso
Não é impressão. O risco de infarto é 13% maior às segundas-feiras. Um estudo feito na Irlanda e Irlanda do Norte, com mais de 10 mil pacientes, mostrou o pico logo no primeiro dia da semana. O motivo mais aceito é o estresse do retorno ao trabalho, que altera o ritmo biológico e aumenta os níveis de cortisol — o hormônio do estresse.
No Brasil, ocorrem de 300 mil a 400 mil casos de infarto agudo do miocárdio por ano. Entre 2019 e 2022, as internações pelo problema subiram mais de 25% no SUS.
Alimentos que protegem
A dieta não resolve tudo, mas é um dos pilares mais fortes de prevenção.
- Peixes de águas frias (salmão, sardinha, atum): ricos em ômega 3, reduzem a inflamação e melhoram a fluidez do sangue.
- Banana: fonte de potássio, ajuda a controlar a pressão.
- Frutas vermelhas: contêm flavonoides que protegem os vasos.
- Laranja: vitamina C que reduz colesterol e fortalece a imunidade.
- Fibras solúveis (aveia, maçã, feijão, linhaça): reduzem a absorção do LDL.
Carne vermelha pode, mas com moderação. O ideal é escolher cortes magros e evitar processados como linguiça, bacon e salsicha, ligados ao aumento do colesterol e da pressão.
Solidão: um fator invisível
A ciência mostra que a solidão tem um peso semelhante ao do cigarro para o coração. Pessoas socialmente isoladas têm até 30% mais risco de sofrer infarto ou AVC.
O isolamento aumenta a pressão arterial, piora o sono e eleva marcadores inflamatórios. Cultivar amizades, estar próximo da família e participar de grupos comunitários são, portanto, formas de proteção natural.
O básico que nunca falha
O presidente da SBC resume a prevenção em seis pontos:
- Não fumar
- Comer bem e evitar ultraprocessados
- Praticar exercícios regularmente
- Manter o sono em dia
- Cuidar da saúde mental
- Monitorar colesterol, pressão e glicemia
E reforça: a prevenção começa em casa, mas precisa do acompanhamento médico regular. Neste Dia Mundial do Coração, vale refletir: o que você pode mudar hoje para proteger seu coração amanhã?
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