- A Prefeitura de São Bernardo do Campo registrou a terceira morte suspeita por intoxicação por metanol na Grande São Paulo.
- A vítima mais recente foi um homem de 45 anos, que faleceu no domingo, 28 de setembro.
- Outras duas mortes ocorreram na mesma região: um homem de 38 anos, em 24 de setembro, e um homem de 54 anos, na cidade de São Paulo, em 15 de setembro.
- Dez casos adicionais estão sendo investigados por possível intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas.
- O metanol é uma substância altamente tóxica, e seu uso em automóveis é proibido no Brasil pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.
Nesta segunda-feira (29), a Prefeitura de São Bernardo do Campo registrou a terceira morte suspeita por intoxicação por metanol na Grande São Paulo, substância altamente tóxica usada para adulterar bebidas.
A vítima foi um homem de 45 anos que morreu no domingo, 28 de setembro. A primeira morte registrada no município havia sido de um homem de 38 anos, na quarta-feira, 24 de setembro. Na cidade de São Paulo, também houve um caso neste mês: um homem de 54 anos, morador da Zona Leste, que morreu em 15 de setembro.
Além das três mortes, outros dez casos são investigados por uma possível intoxicação causada por metanol em bebidas alcoólicas, sem que se saiba ainda de que forma ocorreu a contaminação. Segundo o Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo, desde junho seis mortes por intoxicação com a substância foram confirmadas.
A prefeitura de São Bernardo se pronunciou sobre os casos através de uma nota oficial:
*“A Prefeitura de São Bernardo, por meio da Secretaria de Saúde, informa que a Vigilância Epidemiológica recebeu duas notificações de óbitos suspeitos por contaminação de metanol. O primeiro caso é de um homem de 58 anos que faleceu em 24 de setembro e foi atendido no Hospital de Urgência. O segundo é de um homem de 45 anos que faleceu em 28 de setembro e foi atendido na rede particular. Nos dois casos, os exames estão sendo realizados pelo IML (Instituto Médico Legal) para confirmar ou descartar a contaminação.”*
O que é o Metanol?
O metanol (CH₃OH) é um álcool metílico simples, incolor, inflamável e altamente tóxico para o corpo humano, capaz de causar a morte mesmo em pequenas doses. É usado principalmente como matéria-prima na produção de outros compostos químicos e também como combustível em alguns tipos de motores. No Brasil, porém, seu uso em automóveis é proibido pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que classifica a substância como solvente e não autoriza sua aplicação como combustível direto.
As características do Metanol
O Portal Tela entrevistou o doutor José Roberto Santin, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Toxicologia (SBTOX), que esclareceu dúvidas sobre a procedência do metanol e orientou formas de proteção em casos de intoxicação.
Sobre o perigo do metanol e sua ampla utilização, o doutor respondeu: *”O grande perigo não está muito relacionado ao metanol, mas sim aos produtos de metabolização ou de biotransformação. O nosso fígado, ele pega o metanol e transforma em outras substâncias, principalmente em formaldeído e ácido fórmico.”* Ele concluiu *“Essas duas substâncias que são extremamente tóxicas, tanto para o sistema nervoso central, quanto para o sangue, porque pode provocar um quadro de uma acidose metabólica”*
Um dos principais problemas da adulteração com metanol é a dificuldade de identificar bebidas contaminadas, já que o metanol apresenta muitas semelhanças com o etanol, álcool comumente usado na fabricação de bebidas.
*“O metanol, ele tem gosto, cheiro, enfim, muito semelhante ao do próprio etanol, então ele não vai alterar as características da bebida. Ele também é incolor e é muito parecido com etanol. Então a detecção mesmo, para eu saber se uma bebida está contaminada ou não, só fazendo análise laboratorial ou testes específicos.”*
Além disso, o metanol é extremamente tóxico para o corpo humano, com uma dose tóxica mínima de 0,1 ml por kg. Isso, combinado à alta semelhança com o etanol, torna quase impossível de perceber se uma bebida está adulterada. Por isso, o ideal é consumir bebidas alcoólicas apenas em locais confiáveis e ficar atento ao preço, já que produtos muito baratos podem estar adulterados.
Aumento nos casos de intoxicação
O número de casos de intoxicação por metanol vem crescendo desde 2023, segundo a SBTOX. Antes, essas intoxicações eram mais frequentes entre pessoas em situação de vulnerabilidade, que consumiam etanol adulterado.
*“O que a gente vem observando agora é uma transição, não mais no etanol combustível e sim a presença de metanol contaminando em bebidas alcoólicas, né? Que em tese não eram para ter metanol”*
Principais sintomas da ingestão de bebidas adulteradas
Se houver suspeita de ingestão de uma bebida adulterada, o mais importante é observar os sintomas e procurar imediatamente uma unidade de saúde para realizar exames que confirmem ou descartem a intoxicação e iniciar o tratamento adequado.
*“Em doses baixas, o que pode acontecer são sintomas muito semelhantes à intoxicação por etanol, ou seja, um quadro de embriaguez. Tontura, náusea, vômito, dor de cabeça, falta de coordenação. A vítima, geralmente, acredita estar apenas embriagada, né, por uma ingestão excessiva de álcool”*
Além disso, os sintomas mais graves podem aparecer apenas muito tempo depois da ingestão.
*“De 8 horas a 24 horas após o consumo, que daí vai surgir os casos mais graves, que são aquelas alterações visuais, visão turva, pontos brilhantes, tipo um nevoeiro, né, e que pode evoluir para um quadro de cegueira”. Por fim, o Doutor conclui “Isso pode levar a quadros por exemplo, de convulsão, coma, insuficiência respiratória”*.
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