- Um novo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta sobre o aumento do uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes.
- Mais de 100 milhões de pessoas no mundo utilizam vapes, sendo pelo menos 15 milhões adolescentes entre 13 e 15 anos.
- A faixa etária de 13 a 15 anos é nove vezes mais propensa a usar cigarros eletrônicos do que adultos.
- Apesar da queda no tabagismo convencional, o uso de vapes cresce rapidamente, impulsionado por sabores atrativos e marketing digital.
- A OMS recomenda ações governamentais, como proibição de publicidade para menores e taxação elevada sobre produtos de nicotina, para combater essa nova dependência.
Um novo relatório global da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado nesta segunda-feira (6), acende um alerta sobre o avanço do uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes. Segundo o levantamento, mais de 100 milhões de pessoas no mundo utilizam vapes e pelo menos 15 milhões são adolescentes entre 13 e 15 anos.
Os dados indicam que essa faixa etária é, em média, nove vezes mais propensa a usar cigarros eletrônicos do que os adultos. A OMS destaca que o fenômeno representa uma nova onda de dependência da nicotina, impulsionada por produtos com forte apelo entre os jovens.
“Os cigarros eletrônicos estão alimentando uma nova onda de dependência da nicotina. Eles são comercializados como uma forma de redução de danos, mas estão viciando crianças cada vez mais cedo e comprometendo décadas de progresso”, alertou Etienne Krug, diretor do Departamento de Determinantes, Promoção e Prevenção da Saúde da OMS.
O retrato global do consumo
O relatório, baseado em 2.034 pesquisas nacionais cobrindo 97% da população mundial, mostra que os adultos ainda compõem a maioria dos usuários de vapes, 86 milhões, principalmente em países de alta renda. No entanto, a velocidade de adesão entre adolescentes preocupa as autoridades.
A OMS aponta que a combinação de sabores atrativos, marketing digital e percepção enganosa de que o vape é “menos nocivo” tem levado muitos jovens a iniciar o consumo. Pesquisas também revelam que o uso precoce aumenta significativamente as chances de dependência em idade adulta.
Queda no tabagismo tradicional
Apesar do avanço do vape, o tabagismo convencional segue em queda em várias partes do mundo. Segundo o relatório, o número total de usuários de tabaco caiu de 1,38 bilhão em 2000 para 1,2 bilhão em 2024, o que representa uma redução de 27%.
As mulheres lideram essa mudança: a prevalência entre elas caiu de 11% em 2010 para 6,6% em 2024, e a meta global de redução para 2025 foi atingida cinco anos antes do previsto. O total de mulheres fumantes passou de 277 milhões para 206 milhões no mesmo período.
Entre os homens, o número de usuários ainda é alto: quatro em cada cinco fumantes no mundo são do sexo masculino. Embora a taxa tenha caído de 41,4% em 2010 para 32,5% em 2024, a OMS prevê que eles só devem atingir a meta global em 2031.
Desigualdades regionais
O relatório aponta grandes diferenças entre as regiões do planeta. A Europa é atualmente o continente com a maior prevalência global de consumo de tabaco, com 24,1% dos adultos ainda fumando em 2024. As mulheres europeias também lideram entre os gêneros, com 17,4% de prevalência.
Na África, por outro lado, o índice é o mais baixo do mundo: 9,5% dos adultos consomem tabaco. Ainda assim, o número absoluto de fumantes cresce devido ao aumento populacional — o que exige atenção contínua das autoridades sanitárias.
O alerta da OMS aos governos
Para a OMS, os números mostram tanto um avanço quanto um novo desafio. O diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, elogiou o progresso no controle do tabaco, mas alertou para as estratégias agressivas da indústria de nicotina.
“Milhões de pessoas estão parando ou não começando a fumar graças aos esforços de controle do tabaco. Mas, em resposta a esse progresso, a indústria está lançando novos produtos e mirando os jovens. Os governos precisam agir com mais rapidez e firmeza”, afirmou Tedros.
Entre as medidas recomendadas estão a proibição da publicidade voltada a menores, taxação mais alta sobre produtos de nicotina e campanhas de informação pública que desmistifiquem o vape como alternativa “segura”.
O desafio das próximas décadas
Embora o mundo esteja reduzindo o consumo de tabaco, o avanço dos cigarros eletrônicos ameaça reverter parte dos ganhos obtidos nas últimas duas décadas. A OMS reforça que o combate à dependência da nicotina precisa acompanhar a evolução dos produtos — e que proteger os jovens deve ser prioridade.
“O futuro livre do tabaco e da nicotina ainda é possível, mas só se os países tratarem os novos produtos com o mesmo rigor que o cigarro tradicional”, conclui o relatório.
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