- O Alzheimer é a principal causa de demência no mundo, afetando mais de seis milhões de pessoas nos Estados Unidos, com previsão de atingir treze milhões até dois mil e cinquenta.
- Pesquisadores da Universidade da Califórnia realizaram um estudo para entender como condições de saúde, como hipertensão, diabetes e depressão, se conectam ao desenvolvimento do Alzheimer.
- O estudo, publicado na revista eBioMedicine, analisou mais de vinte e quatro mil pacientes e identificou que a doença resulta de trajetórias complexas de saúde ao longo do tempo.
- Quatro padrões principais de progressão da doença foram identificados: mental, encefalopática, neurodegenerativa e vascular, cada um com características e tempos de evolução distintos.
- A pesquisa sugere que o reconhecimento dessas trajetórias pode melhorar o tratamento e aumentar as chances de recuperação ao permitir intervenções mais rápidas.
Atualmente, o Alzheimer é o responsável pela maioria dos casos de demência no mundo. O transtorno neurodegenerativo já afeta mais de 6,7 milhões de pessoas apenas nos Estados Unidos, com uma estimativa de atingir até 13 milhões até 2050.
Na tentativa de minimizar os danos do Alzheimer na população, a ciência sempre buscou identificar os fatores de risco individuais que podem surgir antes da doença, como hipertensão, diabetes e depressão. Porém, o maior desafio sempre foi entender como essas condições se conectam até levar ao Alzheimer.
Neste contexto, pesquisadores da Universidade da Califórnia conduziram um estudo para analisar a ordem em que as doenças surgem ao longo da vida e identificar padrões de saúde completos, e não os individuais comumente analisados, que podem levar ao Alzheimer.
O estudo
O estudo foi publicado na revista *eBioMedicine* com o nome *Identifying common disease trajectories of Alzheimer’s disease with electronic health records* ou *Identificando trajetórias comuns da doença de Alzheimer com registros eletrônicos de saúde*.
Os cientistas analisaram mais de 24 mil pacientes com Alzheimer e concluíram que a doença não resulta de um único fator, mas de trajetórias complexas e sequenciais de condições de saúde ao longo do tempo.
O método utilizado usou inteligência artificial misturada com registros eletrônicos de saúde (EHRs) para mapear as trajetórias de doenças que levam ao Alzheimer. A análise dos históricos de pacientes revelou quatro padrões principais de progressão da doença:
A primeira é a trajetória mental. Nela, o Alzheimer é precedido por problemas como ansiedade, depressão e hipertensão. O estudo destacou a depressão, que costuma surgir após hipertensão e ansiedade. Esse padrão afeta principalmente mulheres e pessoas hispânicas, com média de 5,7 anos de acompanhamento médico antes do diagnóstico.
A segunda trajetória é chamada encefalopática, ligada a doenças cerebrais e metabólicas, como encefalopatia, insuficiência renal e problemas urinários. É considerada o caminho mais rápido e letal para o Alzheimer.
A terceira trajetória é chamada de neurodegenerativa. Ela começa com um comprometimento cognitivo leve, depois, avança para demência vascular e, por fim, leva ao Alzheimer. Esse é o percurso mais comum e conhecido pelos médicos.
Por fim, a quarta e última trajetória é a vascular, ligada a doenças circulatórias, anemia e problemas nas articulações. Geralmente, começa com hipertensão, evolui para anemia e demência, e termina no Alzheimer. Esse percurso é o mais longo, com duração média de 8,4 anos até o diagnóstico
O estudo dessas trajetórias e a identificação delas em pacientes com Alzheimer reforçam a ideia central da pesquisa que não havia sido tão explorada anteriormente: a doença não surge de um único fator, mas de uma sequência previsível de condições interligadas entre si.
Segundo os autores, essas trajetórias refletem as diferentes formas de deterioração cerebral e indicam que cada perfil pode precisar de estratégias médicas específicas, o que ajuda a definir o tratamento e aumenta as chances de melhora ao identificar o percurso do paciente
Além disso, a identificação desses padrões nas trajetórias pode agilizar o tratamento, pois o percurso até o Alzheimer pode ser reconhecido a partir das condições de saúde do paciente que é tratado mais rapidamente.
Entre na conversa da comunidade