- O idadismo é o preconceito contra pessoas baseado na idade, afetando tanto jovens quanto idosos.
- Em 2021, o Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, recebeu mais de 230 mil denúncias relacionadas a esse tipo de preconceito.
- O idadismo se manifesta em estereótipos, preconceitos e discriminação, podendo ser explícito ou implícito.
- Esse preconceito é comum no mercado de trabalho, onde 86% das pessoas com mais de 60 anos já enfrentaram discriminação.
- Para combater o idadismo, é importante repensar atitudes e promover iniciativas que integrem diferentes faixas etárias, como o Junho Violeta.
*“Você não acha que está velho demais para isso?”; “Ele(a) não entende dessas coisas, já está velho(a)”; “Depois de certa idade…”* são apenas algumas das frases comuns no dia a dia da sociedade que, no fundo, reforçam um preconceito frequentemente ignorado: o idadismo.
O idadismo (ou etarismo como também é comumente conhecido) é o preconceito contra uma pessoa baseada na sua idade, seja ela por ser mais nova ou mais velha.
Em 2021, o Disque 100, canal de denúncias do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania sobre violações de direitos humanos, recebeu mais de 230 mil chamadas relacionadas a casos de idadismo, que envolviam pessoas de todas as idades.
Isso mostra que, embora pouco comentado, este preconceito está presente na sociedade e precisa ser combatido, e afeta tanto pessoas mais jovens quanto mais velhas.
As definições do idadismo
Esse preconceito pode ser classificado segundo algumas categorias da psicologia que revelam como ele se manifesta e inclui diferentes formas de representação na sociedade.
A primeira são suas dimensões, divididas em três: o estereótipo (pensamentos), preconceito (sentimentos) e discriminação (ações e comportamentos).
O estereótipo é uma representação mental generalizada sobre um grupo, formada por ideias preconcebidas sobre “como são” seus membros. O preconceito consiste em um juízo prévio, geralmente negativo ou hostil, baseado nesses estereótipos e refletido em sentimentos. A discriminação envolve ações contra determinado grupo, que vão desde agressões verbais até violência física.
Além disso, o preconceito também se manifesta de duas formas: explícita ou consciente, quando a pessoa pratica um ato de idadismo com intenção e consciência de que se trata de preconceito; e implícita ou inconsciente, quando o ato é repetido sem perceber, por estar enraizado culturalmente ou por não reconhecer o preconceito na própria fala.
Como ele se manifesta na sociedade
O idadismo se manifesta na sociedade de diversas formas, todas passíveis de classificação segundo os segmentos mencionados anteriormente.
O primeiro ponto a se ter em mente é que essa manifestação está culturalmente enraizada na sociedade em brincadeiras, frases ou atitudes que nem sempre têm intenção preconceituosa, mas se normalizam a ponto de não serem percebidas como tal, como explica a médica geriatra Karla Giacomin, consultora da Organização Mundial da Saúde (OMS), em entrevista ao Portal Tela:
*”Nós somos um país muito idadista, um país que desmerece e desvaloriza o envelhecimento. Eu preciso enfrentar em mim o próprio preconceito que eu tenho contra o envelhecimento, que nós fomos cultivados, cultuados em termos dessa visão negativa do envelhecimento.”*
Uma das formas mais comuns de preconceito, principalmente contra pessoas mais velhas, é o excesso de proteção. Mesmo quando feita com boa intenção, essa atitude é idadista, pois enfraquece os mais velhos ao pressupor que todos têm uma saúde debilitada ou estão constantemente doentes.
*”O brasileiro, em geral, limita muito as pessoas mais velhas. No intuito de proteger elas falam ‘Não pode sair de casa, a violência está muito grande’. E aí você acaba aprisionando as pessoas dentro de casa.”* reforça a doutora.
O desmerecimento por causa da idade é outro aspecto grave desse preconceito, que afeta tanto pessoas mais jovens quanto as mais velhas. Supor que um idoso não entende tecnologias recentes apenas pela idade é idadismo, assim como acreditar que um jovem não consegue lidar com tarefas complexas por ser mais novo.
Isso se reflete principalmente no mercado de trabalho, onde profissionais podem estar alinhados às exigências da vaga mas são rejeitados apenas por causa da idade, seja por serem considerados novos demais ou velhos demais para se adaptar ou demonstrar competência.
Uma pesquisa do Grupo Croma mostra que 86% das pessoas com mais de 60 anos já enfrentaram algum tipo de preconceito no mercado de trabalho.
Como isso impacta as pessoas?
Assim como qualquer outro preconceito, o idadismo provoca consequências mentais graves e, em alguns casos, pode gerar efeitos físicos, por exemplo, uma agressão que tem o preconceito como fator principal.
Na parte mental, o idadismo pode levar a uma forma de preconceito interno, em que a própria pessoa adota os padrões aplicados pelos outros. Isso pode resultar em baixa autoestima e, principalmente, em autolimitação, que faz o indivíduo acreditar não ser capaz de realizar determinadas tarefas ou ações.
Entre pessoas mais velhas, uma das principais consequências é o isolamento. Por causa do preconceito na sociedade, muitos idosos ficam sem oportunidades de interação e acabam excluídos de diversas situações sociais. O isolamento, por si só, já é prejudicial, mas pode desencadear problemas ainda mais graves, como depressão.
Como evitar o idadismo
O principal passo para combater o preconceito por idade é compreender o ponto apresentado anteriormente de que muitos dos estigmas ligados a pessoas mais velhas e mais jovens estão profundamente enraizados na cultura da sociedade.
Por isso, é fundamental repensar os conceitos atribuídos a pessoas de diferentes idades na sociedade, como destaca Karla ao falar sobre os mais velhos: *“Nós precisamos, primeiro, mudar a nossa visão sobre o envelhecimento. A partir disso, ocupar espaços na sociedade. Essa mudança vai favorecer uma compreensão melhor da juventude e das outras faixas etárias que convivem com esses grupos”.*
Reconhecer que certas frases ou atitudes são idadistas é essencial para combater esse preconceito. Expressões como *“Você não acha que está velho demais para isso?”*, *“Você não tem mais idade para usar isso”* e até comentários que parecem elogios, como *“Você está ótimo para a sua idade”* ou *“Você não aparenta a idade que tem”*, também reforçam estigmas.
Promover iniciativas que reúnam pessoas de diferentes faixas etárias também é fundamental para criar uma convivência saudável e combater a mentalidade de separação por idade. Os governos também podem adotar iniciativas, como o Junho Violeta, baseado no dia 15 de junho, Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, criado pela Organização das Nações Unidas em 2011.
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