- Outubro Rosa é uma campanha mundial de conscientização sobre o câncer de mama, focada na prevenção e diagnóstico precoce.
- Instituições de saúde, empresas e organizações promovem ações durante todo o mês para informar sobre a detecção da doença, que tem alta taxa de cura quando diagnosticada cedo.
- A ginecologista Arimaza Contarini Soares destaca que fatores de risco incluem histórico familiar, alterações genéticas e estilo de vida, como sedentarismo e alimentação inadequada.
- Mudanças simples, como manter uma dieta equilibrada e praticar exercícios, podem reduzir o risco de câncer de mama. O autoexame é recomendado para o autoconhecimento, mas não substitui a mamografia.
- O diagnóstico precoce é crucial, pois aumenta as chances de cura e reduz a agressividade do tratamento. Sinais de alerta incluem caroços, alterações na pele e secreções.
O Outubro Rosa é uma campanha mundial de conscientização sobre o câncer de mama, criada para alertar mulheres e homens sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce. Durante todo o mês, instituições de saúde, empresas e organizações se unem para promover informações e ações voltadas à detecção da doença em seus estágios iniciais — quando as chances de cura ultrapassam 95%.
Mais do que uma cor, o movimento simboliza autocuidado, informação e solidariedade. Conhecer o próprio corpo, adotar hábitos saudáveis e manter os exames em dia são atitudes que podem salvar vidas.
Para falar do tema e do tratamento dessa doença, o Portal Tela entrevistou a ginecologista, Dra. Arimaza Contarini Soares.
Veja a entrevista abaixo:
Quais são os principais fatores de risco para o câncer de mama?
Os fatores de risco são divididos em três grupos: os não modificáveis, os parcialmente evitáveis e os relacionados ao estilo de vida. Entre os que não podem ser mudados, estão o fato de ser mulher, o envelhecimento, o histórico familiar, alterações genéticas (como nos genes BRCA1 e BRCA2), a menstruação precoce (antes dos 12 anos), a menopausa tardia (após os 55) e as mamas densas.
Já fatores como não ter filhos ou engravidar após os 30 anos, não amamentar e o uso prolongado de hormônios também elevam o risco.
Por fim, o estilo de vida faz toda a diferença: sedentarismo, tabagismo, consumo de álcool, sobrepeso, alimentação rica em gordura e açúcar são hábitos que aumentam as chances de desenvolver a doença.
O que as mulheres podem fazer para reduzir as chances de ter câncer de mama?
Pequenas mudanças no dia a dia podem gerar grande impacto. Manter o peso ideal, ter alimentação equilibrada, praticar exercícios de 30 minutos a 1 hora por dia, de 3 a 5 vezes por semana, e evitar fumo e álcool são atitudes protetoras.
Além disso, amamentar — sempre que possível — reduz o risco em até 5% a cada 12 meses. E o mais importante: cuidar da saúde mental e emocional também faz parte da prevenção.
O estilo de vida realmente influencia? E as mulheres jovens também precisam se preocupar?
Sim. Um estilo de vida saudável pode reduzir o risco de câncer de mama em até 20%. Embora a doença seja mais comum após os 50 anos, 10% dos casos ocorrem em mulheres com menos de 40, e esse número tem crescido. Fatores como estresse, má alimentação e gravidez tardia têm relação com esse aumento. Jovens com histórico familiar devem ficar atentas e conversar com o médico sobre quando iniciar exames preventivos.
O autoexame ainda é recomendado?
Sim, mas com uma nova abordagem: o foco hoje é o autoconhecimento das mamas. O autoexame não substitui a mamografia, mas ajuda a mulher a perceber alterações no corpo. O ideal é fazê-lo uma vez por mês — uma semana após o início da menstruação, ou em uma data fixa, no caso de quem já está na menopausa.
Como fazer?
1. Em frente ao espelho: Observar o tamanho, a forma e a pele das mamas, procurando alterações ou inchaços.
2. No banho: Com os dedos, apalpar levemente as mamas e a axila em movimentos circulares, procurando caroços ou regiões mais densas.
3. Deitada: Apoiar um travesseiro no ombro, colocar uma das mãos atrás da cabeça e apalpar a mama do mesmo lado, repetindo do outro lado.
Além da mamografia, quais exames ajudam no diagnóstico?
A mamografia é o exame principal, mas há outros que podem complementar o diagnóstico: Tomossíntese (mamografia 3D): aumenta a precisão da imagem. Ultrassom das mamas: indicado especialmente para mulheres jovens ou com mamas densas.
Ressonância magnética: usada em casos de alto risco genético. Biópsia: realizada quando há suspeita em algum exame de imagem.
Por que o diagnóstico precoce é tão importante?
Detectar o câncer cedo salva vidas. Quando o tumor é descoberto no início, as chances de cura ultrapassam 95% e o tratamento é menos agressivo. Fazer mamografia regularmente reduz em até 30% o risco de morte pela doença.
Quais são os primeiros sinais de alerta?
Na maioria dos casos, o câncer de mama não apresenta sintomas no início. Mesmo assim, é importante observar:
Caroço fixo e indolor na mama ou axila;
Alterações na pele (vermelhidão, covinhas, aspecto de “casca de laranja”);
Mudança no mamilo, como retração ou descamação;
Saída de secreção (que não seja leite);
Nódulos no pescoço ou axilas.
Ao notar qualquer sinal diferente, procure um médico. Nem todo caroço é câncer, mas só o especialista pode confirmar.
O que fazer ao notar um nódulo ou secreção?
O primeiro passo é manter a calma. Em seguida, procure um ginecologista ou mastologista o quanto antes. O médico pode solicitar mamografia, ultrassom ou biópsia, conforme o caso. Quanto antes o diagnóstico for feito, maiores as chances de cura.
Quais são os principais tratamentos disponíveis?
O tratamento depende do tipo e estágio do tumor, mas geralmente combina:
Cirurgia (retirada do tumor ou da mama);
Radioterapia, que destrói células doentes com radiação;
Quimioterapia ou terapia hormonal, que agem contra as células cancerígenas;
Terapias-alvo, voltadas a proteínas específicas do câncer;
Cuidados paliativos, quando há metástase, para aliviar sintomas e garantir qualidade de vida.
Toda mulher com câncer precisa retirar a mama?
Não. Hoje, muitos casos são tratados com cirurgias conservadoras, que preservam a mama. Quando a mastectomia é necessária, a paciente tem direito à reconstrução mamária, feita no mesmo momento ou em etapas posteriores.
Como é o acompanhamento depois do tratamento?
O acompanhamento é contínuo e personalizado. Inclui mamografias anuais, ressonâncias (em casos específicos) e uso de medicamentos hormonais para evitar a recidiva.Além do acompanhamento médico, é essencial manter o peso controlado, praticar exercícios e contar com o apoio de fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos.
Existe o risco do câncer voltar? E é possível engravidar após o tratamento?
Sim, existe o risco de recidiva, local ou distante, mas exercícios regulares e controle do peso ajudam a reduzir esse risco.
Muitas mulheres podem engravidar após o tratamento, desde que com orientação médica e respeitando o tempo de recuperação.
Como o apoio psicológico ajuda na recuperação?
O suporte emocional é essencial em todas as fases. O acompanhamento psicológico ajuda a reduzir o estresse, fortalecer o emocional, melhorar hábitos de vida e lidar com o medo da recidiva. Cuidar da mente é tão importante quanto cuidar do corpo.
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