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Vacinas da Covid podem ajudar no tratamento do câncer, de acordo com pesquisa

Pesquisadores do MD Anderson Cancer Center, no Texas, identificaram que vacinas podem potencializar a ação de imunoterapias

As vacinas analisadas foram as mRNA, como as da Pfizer e Moderna - Foto:Reprodução/FreePik
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  • Um estudo do MD Anderson Cancer Center (EUA) e da Universidade da Flórida sugere que vacinas de mRNA contra a COVID-19 podem aumentar a eficácia das imunoterapias no tratamento de câncer.
  • Tumores frios, que não respondem bem a esses tratamentos, podem se tornar mais receptivos após a vacinação.
  • A pesquisa analisou mais de 880 pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas e melanoma metastático entre 2015 e 2022.
  • A sobrevida mediana em pacientes com câncer de pulmão avançado aumentou de 20,6 meses para 37,3 meses, e a taxa de sobrevivência em três anos subiu de 30,8% para 55,7%.
  • O estudo é observacional e não indica que vacinas contra COVID-19 tratam câncer, mas mostra potencial para melhorar a resposta imunológica em tumores resistentes.

A batalha contra o câncer é uma das mais difíceis que a medicina batalha na tentativa de achar uma cura.

Um dos principais desafios que os médicos e pesquisadores enfrentam no tratamento do câncer atualmente é que alguns tumores não respondem bem às imunoterapias. Esses tratamentos estimulam o sistema imunológico a atacar as células cancerígenas.

Esses tumores, chamados de tumores frios, têm uma maior dificuldade em receber células de defesa do sistema imunológico.

Porém, um estudo conduzido por cientistas do MD Anderson Cancer Center (EUA) e da Universidade da Flórida, publicado na Nature, sugere que as vacinas de mRNA contra a COVID-19 como as da Pfizer/BioNTech e Moderna, poderiam potencializar a ação das imunoterapias.

Como as vacinas de mRNA podem ajudar?

A pesquisa analisou que a vacina “desperta” o sistema imune para que ele consiga enxergar e atacar melhor o tumor, o que torna as imunoterapias mais eficazes. O mecanismo que os pesquisadores identificaram é o seguinte:

O PD-L1 é o ponto principal da pesquisa. É uma proteína que algumas células cancerígenas usam como uma “capa de invisibilidade” para escapar do sistema imunológico.

Medicamentos de imunoterapia chamados anti-PD-L1 removem essa capa, expondo o tumor para ataque dos linfócitos T. Com a vacinação, os tumores passam a expressar mais PD-L1, mas isso facilita a ação das drogas, pois o alvo da imunoterapia fica mais claro e o tratamento funciona melhor.

Além disso, também entraram na pesquisa o Interferon tipo I (IFN-I), um grupo de proteínas de extrema importância para a resposta imunológica do nosso corpo. A vacina provoca uma onda dessa molécula, que funciona como um “alarme” para o corpo, sinalizando que algo precisa ser combatido.

Esse alarme é feito ativando algumas células especiais que ajudam o sistema imunológico a identificar e atacar invasores ou células anormais, como o câncer. Entre elas estão os macrófagos e as células dendríticas.

Quando uma vacina de mRNA é aplicada, essas células capturam fragmentos das células tumorais e os exibem para os linfócitos T, um tipo de célula do sistema imunológico, para que eles aprendam a reconhecer e destruir o câncer.

A vacina também ajuda na reprogramação do microambiente tumoral, ou seja, tumores frios passam a se tornar tumores quentes, com mais células de defesa infiltrando o tumor.

Condução da pesquisa

O estudo analisou mais de 880 pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas (NSCLC) e melanoma metastático, tratados entre 2015 e 2022.

Em pacientes com câncer de pulmão avançado, a sobrevida mediana aumentou de 20,6 meses para 37,3 meses. Já a taxa de sobrevivência em 3 anos passou de 30,8% para 55,7%.

Já no caso de pessoas que possuíam melanoma metastático, o risco de morte caiu quase 60%.

O efeito foi específico para vacinas de mRNA contra COVID-19, e não foi observado em vacinas contra gripe ou pneumonia.

Em 2.300 biópsias de câncer de pulmão, pacientes vacinados nos 100 dias anteriores eram 29% mais propensos a atingir o limiar para receber imunoterapia sem quimioterapia.

Implicações práticas e limitações

Mesmo com toda a pesquisa, isso não significa que vacinas contra COVID tratam câncer, mas mostram que a tecnologia de mRNA pode modular o sistema imune e aumentar a eficácia da imunoterapia.

Isso pode ser usado como uma estratégia para tumores resistentes, que hoje têm baixa resposta aos tratamentos. No futuro, protocolos podem combinar vacinas de mRNA, não apenas para vírus, mas projetadas para estimular o sistema imune contra o câncer. Alguns fatores, como estado de saúde, tipo de imunoterapia e cronologia da vacinação, podem influenciar os resultados.

Outro ponto importante é que o estudo é observacional, ou seja, os pesquisadores apenas analisaram o que aconteceu sem interferir nem fazer testes diretos. Ele também foi feito de modo retrospectivo, quando a análise é feita olhando para o passado, usando registros e resultados de pacientes que já foram tratados.

A aplicação diretamente no tumor em humanos ainda não foi testada nesta pesquisa, que conta com dados são pré-clínicos. Além disso, é necessário identificar com o tempo, se o efeito também vale para outros tipos de tumor, além do pulmonar e do melanoma metastático.

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