Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Omeprazol causa demência? O que a ciência realmente descobriu sobre o medicamento

Pesquisas que levantaram suspeitas sobre a relação entre o uso prolongado de omeprazol e Alzheimer foram revistas e não confirmadas. Médicos explicam quais são, de fato, os riscos do uso contínuo.

Imagem IA
  • A desconfiança sobre o omeprazol e sua relação com demência e Alzheimer surgiu em 2014, após um estudo publicado no JAMA Neurology.
  • Pesquisas recentes não encontraram evidências de que o omeprazol cause esses problemas cognitivos.
  • O uso prolongado do medicamento pode levar a deficiências nutricionais, especialmente de vitamina B12, que podem afetar a cognição.
  • Especialistas alertam que o uso indiscriminado e sem supervisão médica pode aumentar riscos gastrointestinais e metabólicos.
  • O omeprazol é considerado seguro e eficaz quando utilizado com acompanhamento médico adequado.

A desconfiança de que o omeprazol um dos medicamentos mais vendidos no Brasil pudesse estar relacionado a casos de demência e Alzheimer surgiu há cerca de uma década, após a publicação de um estudo alemão no JAMA Neurology, em 2014. Na época, pesquisadores observaram uma possível associação entre o uso prolongado de inibidores de bomba de prótons (IBPs), como omeprazol, pantoprazol e esomeprazol, e maior incidência de declínio cognitivo em idosos.

A hipótese ganhou repercussão e gerou preocupação entre pacientes e médicos, mas desde então foi amplamente revisada. Novas pesquisas e análises sistemáticas mostraram que não há evidências científicas de que o omeprazol cause demência ou Alzheimer. O consenso atual é que a relação observada nos primeiros estudos era indireta, e não resultado de uma ação tóxica do remédio sobre o cérebro.

Deficiências nutricionais explicam parte da confusão

O ácido gástrico desempenha um papel essencial na absorção de nutrientes, especialmente da vitamina B12. Quando o uso de IBPs é prolongado, a acidez do estômago diminui, e com ela a capacidade do corpo de liberar e absorver essa vitamina a partir dos alimentos.

“É uma relação indireta: o remédio não causa o problema cognitivo, mas pode facilitar uma deficiência que interfere no metabolismo cerebral”, explica o neurologista Ricardo Navas. A carência de B12 pode gerar sintomas como fadiga, formigamento, lapsos de memória e dificuldade de concentração — o que pode ser confundido com sinais iniciais de demência.

Revisões publicadas no Journal of the American Geriatrics Society (2020) e no Frontiers in Pharmacology (2022) confirmam a redução dos níveis de B12 em usuários crônicos de IBPs, especialmente entre idosos. No entanto, os sintomas são reversíveis com suplementação, e o medicamento continua sendo considerado seguro quando usado com acompanhamento médico.

Uso contínuo exige reavaliação médica

De acordo com gastroenterologistas, o principal risco do uso indiscriminado de omeprazol está na automedicação e no uso prolongado sem necessidade clínica. O remédio é eficaz para tratar refluxo, gastrite e úlceras, mas o uso contínuo deve ser periodicamente reavaliado.

Além de deficiências nutricionais, o uso excessivo pode aumentar o risco de problemas gastrointestinais e metabólicos, como infecções intestinais, má absorção de cálcio e perda de massa óssea mas não de demência.

O que especialistas recomendam

• Não há evidência de que o omeprazol cause Alzheimer ou demência.

• O uso prolongado pode reduzir a absorção de nutrientes como vitamina B12 e magnésio.

• A deficiência de nutrientes, e não o medicamento, pode afetar funções cognitivas.

• O uso contínuo e sem supervisão médica eleva riscos gastrointestinais e metabólicos.

O omeprazol segue sendo um medicamento seguro e eficaz quando usado da forma correta. O alerta dos médicos é claro: o problema não está no remédio em si, mas no uso prolongado sem acompanhamento profissional. Manter o tratamento sob supervisão, ajustar as doses conforme o quadro clínico e realizar exames regulares são as medidas mais seguras para quem precisa do medicamento a longo prazo.

Relacionados:

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais