- O texto aborda a arte de escrever para não morrer, conectando finitude, envelhecimento e legado, a partir de Mirian Goldenberg e Rubem Alves.
- O autor, que fará 78 anos, diz que continua escrevendo para sobreviver financeiramente e que não tem outra fonte de renda.
- Ele relembra Rubem Alves e o peso da obrigação de brilhar diante do cansaço da velhice e da necessidade de manter novidades.
- O home office e a videoconferência permitem seguir trabalhando, mesmo com dificuldades de locomoção, mantendo atuação no UOL News, agora também na TV.
- A reportagem aborda impactos da era digital e da inteligência artificial no jornalismo, com menos reportagem de campo e mais interferências de comentaristas, mantendo a ideia de que a vida segue.
Prometi não abordar temas de figuras políticas hoje. Em vez disso, abro espaço para refletir sobre o tema sugerido por Mirian Goldenberg, na Folha de S. Paulo: a arte de escrever para não morrer. O texto parte de uma premissa de sobrevivência: o autor vive da escrita desde os 16 anos.
Ele explica que não é uma escolha, mas uma necessidade prática, especialmente pela longevidade da carreira e pela dificuldade de manter renda com a aposentadoria. O relato surge em meio à pergunta sobre finitude, envelhecimento e legado, inspirado por Rubem Alves.
O autor relembra que, aos 78 anos, a idade se aproxima de modo literal. Ele descreve dificuldades físicas, como idas frequentes ao banheiro, e a memória que falha, impactando a continuidade das ideias. A vida torna-se lenta, e a dúvida sobre o leitor persiste.
Contexto
Quinze anos atrás, Rubem Alves já sinalizava cansaço semelhante. O autor cita trechos da crônica de Alves, publicada na Folha, sobre a obrigação de escrever e o peso de brilhar sempre, mesmo diante do desgaste. A relação entre idade, criatividade e demanda editorial é tema central.
Mirian Goldenberg acrescenta que o peso de manter a produção é sentido por muitos. O texto original aponta a tensão entre desejo criativo e necessidade de produzir diante de prazos, audiências e plataformas que promovem choque e cliques.
Desafios da profissão
O autor comenta que o ambiente atual dificulta a inovação constante. A exigência de novidades, a competição por audiência e a ascensão de analistas substituem, em parte, a presença do repórter nas ruas. A percepção é de que o jornalismo mudou de formato, com menos reportagens externas.
Ele também descreve a evolução tecnológica: home office e videoconferência ajudam a manter a atividade sem sair de casa. Mesmo assim, o deslocamento da prática de campo para o distanciamento remoto implica mudanças no dia a dia profissional.
Situação pessoal e futuro
Sobre a locomoção, o texto destaca limitações crescentes. A janela da casa tornou-se a principal visão do mundo, enquanto o contato por telefone é evitar. O jornalista descreve a transição de repórter de rua para comentarista, em linha com a nova realidade da profissão.
O autor recorda ainda a importância de ver o noticiário como uma soma de esforços, com a matéria-prima vindo de jornalistas que enfrentam dificuldades de campo. O cenário atual envolve riscos de desinformação e dificuldade de verificada, que afeta a credibilidade.
Conclusão provisória
Ao encerrar, o texto relembra que, para quem está na fase de prorrogação da vida, o processo de adaptação aos tempos modernos é desafiante. O autor cita Rubem Alves numa visão de que o tempo não para, e que a vida segue, mesmo diante das limitações.
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