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Dengue, dor de cabeça e Parkinson: erros em questões básicas chamam atenção no Exame nacional de medicina 

Documento indica maior taxa de erros em pediatria, ginecologia e saúde mental. 

Imagem: Creative Commons

O Ministério da Educação já havia divulgado na semana passada que cerca de um terço dos cursos de Medicina avaliados teve desempenho insuficiente no Enamed, dado que reforça a preocupação com a qualidade da formação médica em um momento de larga abertura de novos cursos no país. Aplicado a mais de 39 mil estudantes de […]

O Ministério da Educação já havia divulgado na semana passada que cerca de um terço dos cursos de Medicina avaliados teve desempenho insuficiente no Enamed, dado que reforça a preocupação com a qualidade da formação médica em um momento de larga abertura de novos cursos no país.

Aplicado a mais de 39 mil estudantes de Medicina do último ano, o exame indicou que quase 13 mil alunos não atingiram o mínimo de 60% dos acertos. 

No último domingo (25), uma reportagem do Fantástico obteve acesso exclusivo a um relatório do Inep, em que perguntas classificadas como de baixa dificuldade,registraram desempenho fraco. Entre os exemplos destacados estão:

  • Dengue em quadro grave: 66% erraram a conduta de manejo diante de sinais de gravidade.
  • Dor de cabeça persistente com sinais de inflamação vascular: 65% não apontaram o procedimento inicial esperado.
  • Doença de Parkinson: 56% não reconheceram medicamentos básicos usados no tratamento.

O Fantástico também ouviu alunos que atribuem parte das dificuldades a problemas de formação. Entre as queixas estão a escassez de especialistas, docentes sobrecarregados e limitações para prática supervisionada, como falta de hospitais escola e pouco acesso a procedimentos básicos.

Segundo a reportagem, as reclamações aparecem tanto entre bolsistas quanto entre estudantes de faculdades com mensalidades elevadas, com relatos semelhantes sobre infraestrutura e qualidade do treinamento.

Ao Agência Brasil, o presidente do Conselho Federal de Medicina, José Hiram Gallo, afirmou que a situação evidencia falhas estruturais na formação. “Se você vai abrir uma escola e não tem um hospital universitário preparado para esses futuros médicos atuarem não tem que autorizar essa faculdade. Não tem como você formar um médico se não tiver um hospital escola, não tem como você fazer medicina se não tiver um leito ao lado”.

O que pode acontecer com cursos de pior desempenho

De acordo com o que o Ministério da Educação prevê para instituições com resultados mais baixos, podem entrar em discussão medidas como:

  • Proibição de abrir novas vagas.
  • Redução de vagas já existentes.
  • Processos administrativos para correção de falhas estruturais e pedagógicas.

Os resultados reforçam ainda mais a proposta do Conselho Federal de Medicina de criar um exame obrigatório para que o recém-formado obtenha o registro profissional. A medida deve avançar no Senado. 

Segundo Gallo, “uma das propostas é fazer uma resolução para não registrar esses profissionais, mas ainda está em estudo no nosso jurídico”.

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