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Surto de vírus Nipah coloca Índia em alerta 

Dois casos confirmados em profissionais de saúde levaram a quarentenas e rastreamento de contatos.

Foto: Reprodução

A Índia enfrenta um novo surto de infecção por vírus. Um novo episódio de infecção foi identificado em ambiente hospitalar, no estado de Bengala Ocidental, no leste do país. Diante disso, autoridades sanitárias reforçaram a vigilância após a confirmação de casos associados a um ambiente hospitalar.  O Ministério da Saúde indiano informou que rastreou e […]

A Índia enfrenta um novo surto de infecção por vírus. Um novo episódio de infecção foi identificado em ambiente hospitalar, no estado de Bengala Ocidental, no leste do país. Diante disso, autoridades sanitárias reforçaram a vigilância após a confirmação de casos associados a um ambiente hospitalar. 

O Ministério da Saúde indiano informou que rastreou e testou 196 contatos diretos ligados aos casos e que, até o momento, todos tiveram resultado negativo.

Segundo relatos da imprensa local e de publicações especializadas em saúde, como World Health Organization e University of Minnesota, no início do monitoramento, cerca de 110 pessoas foram colocadas em quarentena. A razão foi terem entrado em contato próximo com os entrevistados, enquanto equipes conduziam investigações de campo e acompanhamento clínico. 

Autoridades indianas afirmam que o episódio está sob contenção e segue em observação.

Triagens em aeroportos reacendem na Ásia

A confirmação dos casos também provocou reações fora da Índia. Tailândia, Taiwan e Nepal anunciaram ou intensificaram procedimentos de triagem e vigilância para viajantes, com checagens de temperatura e exigência de informações de saúde em pontos de entrada.

Os protocolos foram descritos como inspirados em práticas adotadas durante a pandemia de Covid 19.

O que é o vírus Nipah, como se transmite e por que preocupa

Classificado como zoonose, o Nipah tem como reservatório natural morcegos frugívoros e pode chegar a humanos por exposição a alimentos contaminados por secreções desses animais, como frutas e seiva de palma.

A transmissão entre pessoas existe, mas tende a ocorrer em situações de contato próximo, sobretudo em ambientes familiares e hospitalares.

Os sintomas iniciais podem se confundir com os de um quadro gripal, mas a infecção pode evoluir para formas graves, incluindo encefalite e comprometimento respiratório. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a letalidade fica entre 40% e 75%, com variação conforme o surto e a capacidade de resposta local.

Não há vacina nem antiviral específico, e o tratamento se baseia em suporte clínico e terapia intensiva quando necessário.

Diferenças entre o Nipah e a Covid 19

  1. Transmissão e contágio
    Covid 19:
    alta transmissão por via aérea e contato próximo, o que facilita a disseminação e pode levar a ondas globais.
    Nipah: transmissão humana menos eficiente. Ocorre principalmente por exposição a animais ou alimentos contaminados. O contágio entre pessoas é incomum e costuma exigir contato próximo e prolongado, o que tende a limitar surtos.
  2. Letalidade
    Covid 19:
    a letalidade varia e, em geral, fica abaixo de 1% a 3% na população geral, dependendo do contexto, da variante e da cobertura vacinal.
    Nipah: a letalidade é alta, com estimativas entre 40% e 75%. Infecta menos pessoas, mas pode ser mais grave quando ocorre.
  3. Sintomas principais
    Covid 19:
    predominantemente respiratória, com febre, tosse, cansaço e, em casos graves, pneumonia.
    Nipah: pode começar com sintomas inespecíficos, mas tem risco de evolução para comprometimento neurológico, como encefalite, com confusão mental, convulsões e risco de coma em curto intervalo.
  4. Tratamento e vacina
    Covid 19:
    há vacinas amplamente disponíveis e antivirais específicos em alguns contextos.
    Nipah: não existe vacina nem medicamento específico. O tratamento é de suporte, com manejo clínico e terapia intensiva quando indicado.

O vírus foi descrito pela primeira vez após um surto ocorrido entre 1998 e 1999, na Malásia e em Singapura. Desde então, registros em diferentes países relacionaram casos tanto à transmissão a partir de animais quanto à exposição direta a produtos contaminados por morcegos.

Especialistas citados em coberturas recentes avaliam que o risco de expansão ampla permanece limitado no cenário atual, mas o reforço de triagens em aeroportos busca reduzir a chance de disseminação do vírus Nipah.

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