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Brasil deve registrar 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028, aponta INCA

Câncer de pele não melanoma apresenta maior projeção, com uma estimativa de 263 mil novos casos por ano.

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Mais de 780 mil brasileiros deverão ter câncer até o final de 2028. Essa é a estimativa do último levantamento do INCA (Instituto Nacional do Câncer). O estudo não inclui os quase 263 mil novos casos de câncer de pele não melanoma, que não entram nas estatísticas por não levarem à morte. Quando este tipo […]

Mais de 780 mil brasileiros deverão ter câncer até o final de 2028. Essa é a estimativa do último levantamento do INCA (Instituto Nacional do Câncer). O estudo não inclui os quase 263 mil novos casos de câncer de pele não melanoma, que não entram nas estatísticas por não levarem à morte.

Quando este tipo é retirado do recorte, os cânceres de mama e próstata somam aproximadamente 15% cada dos novos diagnósticos anuais no Brasil.

O estudo mostra que o câncer já é uma das principais causas de adoecimento e morte no país e que vem se aproximando das doenças do coração e da circulação.

Segundo o INCA, esse quadro se explica principalmente pelo envelhecimento da população, mas também por desigualdades entre as regiões e por dificuldades no acesso à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento pelo SUS.

Tipos de câncer mais comuns entre homens e mulheres

Entre os homens, os tipos de câncer mais comuns são os de próstata (30,5%), cólon e reto (10,3%), pulmão (7,3%), estômago (5,4%) e boca (4,8%).

Entre as mulheres, os tipos mais comuns são o de mama (30,0%), cólon e reto (10,5%), colo do útero (7,4%), pulmão (6,4%) e tireoide (5,1%). O câncer de mama lidera os registros, e o de colo do útero segue entre os mais frequentes, mesmo com formas de prevenção mais acessíveis, como vacinação e exames de rastreamento.

O câncer de pele não melanoma continua como o mais comum em homens e mulheres, com cerca de 33,7% dos casos, mas costuma aparecer separado nas estatísticas porque raramente leva à morte, apesar de gerar muita procura por atendimento no sistema de saúde.

Diferenças regionais acendem alerta

A estimativa também aponta diferenças entre as regiões do país. No Norte e no Nordeste, o câncer do colo do útero está entre os mais comuns, assim como o câncer de estômago entre os homens. Já os tumores ligados ao cigarro, como os de pulmão e de boca, aparecem com mais frequência no Sul e no Sudeste.

Na prática, as desigualdades também aparecem no tempo de espera para confirmar o diagnóstico e começar o tratamento. Nos locais onde há menos oferta de serviços de saúde, mais casos são descobertos tardiamente, em fase avançada, o que exige cuidados mais complexos, diminui as chances de cura e eleva a mortalidade, o que aumenta a pressão do câncer sobre o sistema público de saúde.

Em entrevista ao INCA, Mozart Júlio Tabosa Sales, secretário de Atenção Especializada à Saúde do MS, destacou que a pesquisa é essencial para dar visibilidade a essas desigualdades e orientar ações voltadas ao acesso e ao tratamento de tipos específicos da doença.

“Esses dados são fundamentais, porque eles são um farol que guia a capacidade de planejar no território a intervenção, entendendo, inclusive, o conjunto dos equipamentos, das ofertas assistenciais, dos recursos humanos que precisam ser dimensionados e articulados para responder os casos esperados” disse o secretário

Essas desigualdades têm relação com condições sociais e econômicas, além de fatores do ambiente e de hábitos de vida, somadas ao acesso desigual à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento, o que aumenta a diferença nos resultados da doença entre as regiões.

Prevenção e diagnóstico precoce são decisivos

Uma grande parcela dos cânceres mais comuns citados no relatório podem ser evitados e também costumam ter mais chance de cura quando são descobertos cedo.

A vacinação contra o HPV, por exemplo, é essencial para reduzir os casos de câncer do colo do útero. Já o combate ao tabagismo segue como uma das formas mais eficazes de prevenir vários tipos de câncer, enquanto o consumo de álcool, mesmo em pequenas quantidades, aumenta o risco da doença.

Além disso, manter uma alimentação saudável, praticar atividade física com regularidade e fazer exames de rastreamento aumentam as chances de cura e ajudam a reduzir as mortes, especialmente quando o câncer é descoberto no começo.

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