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Você realmente precisa de alguém? O fardo da hiperindependência

Independência excessiva pode isolar, provocar burnout e comprometer relações; terapia e microdependência ajudam a aceitar apoio emocional

Illustration: Grace Russell/The Guardian
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  • Pessoas hiperindependentes costumam cuidar sozinhas de tudo, o que pode gerar estresse, burnout e até queda de cabelo, como aconteceu com Cianne Jones ao cuidar de um parente em ICU por mais de um mês.
  • Especialistas afirmam que a qualidade das relações é fundamental para a saúde; a hiperindependência pode levar ao isolamento e dificultar vínculos amorosos e afetivos.
  • O texto aponta raízes culturais e familiares, incluindo modelos aprendidos com mãe que fazia tudo e pressões específicas de comunidades negras ou de outras culturas.
  • Estratégias para mudar incluem terapia, diário e iniciar microdependência, pedindo ajuda em tarefas simples e aceitando apoio ao longo do tempo.
  • Exemplos de mudança já aparecem: Lad trabalha como coach para mulheres hiperindependentes; Jones busca novas formas de conexão, como clubes e grupos, reconhecendo que nem sempre é necessário manter o papel de quem faz tudo.

Há um sulco invisível na vida de quem se gaba da chamada hiperindependência: a dificuldade de pedir ajuda, que pode ocultar medo de intimidade e de perder controle. O quadro é explorado a partir de relatos de mulheres e de especialistas em psicologia clínica.

Cianne Jones, advogada e fundadora de uma ONG, cuidou sozinha de um familiar hospitalizado por mais de um mês. Ela acompanhava médicos, anotava decisões e não percebeu o peso até que começou a sofrer com o estresse. Aos poucos, reconheceu que poderia ter pedido apoio.

Especialistas dizem que relacionamentos de qualidade são centrais para a saúde e a felicidade. O psicólogo Dr. Stephen Blumenthal afirma que a convivência é fundamental e que a vida sem vínculos pode trazer consequências negativas, especialmente para quem costuma se isolar.

Para Jones, o comportamento foi aprendido, inspirado pela própria mãe que conduzia uma família numerosas e uma instituição de caridade. O padrão a levou a acumular funções profissionais, sociais e acadêmicas, até sofrer esgotamento e um ataque de ansiedade.

Outra experiência relatada é a de Urvashi Lad, que geriu negócios e viveu sozinha por muito tempo. A dependência excessiva de autocontrole a manteve distante de relações amorosas, até decidir abrir espaço para o afeto por meio de terapia, prática de microdependência e apoio de parceiros.

Psicólogas destacam que a hiperindependência costuma surgir na infância, em contextos de atenção inconsistente, ausência emocional ou responsabilidades precoces. O comportamento pode funcionar como proteção, mas, com o tempo, leva ao isolamento emocional e ressentimento.

Saxton, terapeuta, orienta que reconhecer a origem do padrão ajuda a buscar mudanças. A recomendação é experimentar “micro-dependência”: pedir ajuda em tarefas simples, compartilhar preocupações e permitir que outros participem da vida.

Apesar de benefícios, o extremo da independência pode prejudicar relacionamentos. Um caminho apontado é a compreensão de que é possível manter autonomia enquanto se abre espaço para vulnerabilidade e reciprocidade. A mudança, dizem especialistas, requer tempo e apoio profissional quando necessário.

Indivíduos que antes evitavam pedir ajuda relatam ganhos ao permitir que outras pessoas contribuam, incluindo amizades, família e parceiros. A experiência de quem tenta mudar revela que grandes transformações começam com passos pequenos e consistentes.

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