Mais da metade dos casos de demência na América Latina pode estar associada a fatores que, em tese, podem ser prevenidos ou controlados ao longo da vida. É isso que mostra um estudo publicado na The Lancet Regional Health – Americas, repercutido pelo G1, ao estimar que 56% dos casos no Brasil e uma fatia […]
Mais da metade dos casos de demência na América Latina pode estar associada a fatores que, em tese, podem ser prevenidos ou controlados ao longo da vida.
É isso que mostra um estudo publicado na The Lancet Regional Health – Americas, repercutido pelo G1, ao estimar que 56% dos casos no Brasil e uma fatia semelhante na região poderiam ser atribuídos a fatores de risco modificáveis.
Em linguagem simples, isso não significa que todos esses casos seriam automaticamente evitados. O que os pesquisadores mostram é que uma parte importante do risco de desenvolver demência está ligada a condições e hábitos sobre os quais políticas públicas, acompanhamento médico e mudanças no estilo de vida podem atuar.
O que está por trás desse risco maior
O estudo brasileiro publicado na Lancet Regional Health – Americas usa como base a lista mais recente de fatores de risco modificáveis da Comissão Lancet sobre demência.
Entre eles estão baixa escolaridade, perda auditiva, hipertensão, obesidade, tabagismo, depressão, inatividade física, diabetes, isolamento social, consumo excessivo de álcool, traumatismo craniano, poluição do ar, perda de visão e colesterol LDL elevado.
Segundo os autores, o peso desses fatores pode ser ainda maior em países da América Latina por causa das desigualdades sociais, do acesso irregular à saúde e de barreiras históricas em educação e prevenção.
A Organização Pan-Americana da Saúde também destaca que a região vive crescimento acelerado dos casos de demência e que o problema já é um dos mais importantes entre as doenças que afetam idosos nas Américas.
Esse ponto ajuda a entender por que o número chama tanta atenção. Não se trata só de genética ou envelhecimento. A mensagem central é que o ambiente em que a pessoa vive, estuda, trabalha e envelhece também pesa muito no risco de desenvolver Alzheimer e outras demências.
O que isso significa na prática
Na prática, a conclusão do estudo reforça uma ideia importante: prevenir demência não começa apenas na velhice.
Controlar pressão alta, diabetes e colesterol, tratar perda auditiva e depressão, reduzir o sedentarismo, evitar o cigarro, limitar álcool e ampliar acesso à educação e ao convívio social são medidas que podem reduzir o risco ao longo da vida.
A OPAS informa que mais de 10 milhões de pessoas vivem com demência na região das Américas e que o número deve crescer fortemente nas próximas décadas, com América Latina e Caribe entre as áreas mais afetadas.
Por isso, especialistas tratam prevenção como tema de saúde pública, e não apenas como cuidado individual.
O ponto mais didático da pesquisa é este: embora não exista garantia de que alguém vá impedir totalmente a doença, há um espaço real para reduzir risco.
Em vez de olhar para o Alzheimer como algo inevitável, o estudo sugere que parte relevante dos casos pode ser combatida antes mesmo de os sintomas aparecerem.
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