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Alta de 44% em lesões autoprovocadas entre jovens no Brasil provoca alerta

Estudo brasileiro registra alta de lesões autoprovocadas entre jovens: internações sobem 44,3% e óbitos 26,3% entre 2013 e 2023, totalizando 18.382 internações e 261 mortes

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Foto: Creative Commons
  • Entre 2013 e 2023, internações por lesões autoprovocadas cresceram 44,3% e mortes 26,3% no Brasil, segundo estudo divulgado nos Cadernos de Saúde Pública.
  • Ao todo, foram registradas 18.382 internações e 261 óbitos nesse período.
  • A tendência de aumento ocorreu quase toda a década, com exceção de 2020, por subnotificação durante a pandemia de Covid-19.
  • Pretos e pardos lideraram tanto as internações quanto as mortes, associadas a desigualdades, racismo e dificuldade de acesso a direitos básicos.
  • Sinais de risco incluem alterações de humor, isolamento, queda escolar, baixo ânimo e maior uso de telas; a participação dos pais e a busca por ajuda profissional são importantes.

A infância e a adolescência são fases delicadas, durante as quais a personalidade, as habilidades sociais e a resiliência se constroem. No entanto, esse período também envolve vulnerabilidade a eventos estressores ou traumáticos. estudo recente aponta crescimento de lesões autoprovocadas no Brasil.

Análise de registros do Sistema de Informações Hospitalares (SIH) entre 2013 e 2023, realizada pela UFBA e pela UFSB, aponta aumento de 44,3% nas internações relacionadas a autolesões e alta de 26,3% nas mortes. O total da série histórica é de 18.382 internações e 261 óbitos no país.

Comportamentos autolesivos refletem sofrimento emocional intenso e múltiplas causas. Fatores biológicos, sociais e familiares atuam juntos, incluindo negligência, conflito familiar, preconceito, violência, uso de álcool e outras substâncias, distúrbios de sono e exposição excessiva às redes.

Fatores e impactos

A construção da identidade e do senso de pertencimento é apenas a ponta do iceberg. A vulnerabilidade de crianças e adolescentes a sofrimentos psicológicos pode ser intensificada por desigualdades, violência e dificuldades econômicas, além de problemas de saúde mental.

O acesso à tecnologia aproxima pessoas e facilita a comunicação, mas pode gerar ambientes hostis, isolamento e pressão estética. O bullying envolve violência psicológica e física, com impacto significativo na saúde mental dos jovens.

O 2020 mostrou exceção na tendência de alta, devido à subnotificação durante a pandemia. A covid-19 pode ter agravado casos por isolamento social, desemprego parental e maior tempo de uso das redes, elevando a gravidade de ocorrências.

Pessoas pretas e pardas lideraram internações e mortes, associadas aracismo, desigualdade socioeconômica, desemprego parental e acesso restrito a direitos básicos. Esses fatores reforçam a necessidade de proteção social e de saúde mental.

Sinais de risco e caminhos de apoio

Alterações de humor, isolamento, perda de vínculos, recusa de sair de casa, queda de rendimento escolar, menor energia e aumento do tempo diante das telas indicam sofrimento psicológico.

A participação dos pais e responsáveis é fundamental no desenvolvimento infantil. Buscar orientação profissional é recomendado quando houver sinais de risco ou piora do quadro.

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