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Nova-iorquina redescobre a cidade em cadeira de rodas

Jornalista gastronômica de Nova York, amputada bilateral, redescobre a cidade em três dias de turismo acessível, revelando falhas e desejo por inclusão

Seated in an electric wheelchair, a person wears a black quilted coat and brown-framed sunglasses. They are smiling broadly with their mouth open, against a pink building.
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  • Em dezembro de 2023 houve uma hospitalização longa com erros médicos; em junho de 2024 a autora retornou a Brooklyn como amputada bilateral abaixo do joelho e passou a usar a cadeira de rodas como principal meio de interação com o mundo.
  • Nos primeiros dias após a alta, ela se disse turista em sua própria cidade e planejou um roteiro de três dias em Manhattan para medir como sua relação com espaços públicos e atrações mudou.
  • Primeiro dia incluiu Little Island, Chelsea Market e um hotel com quarto indicado como acessível; enfrentou dificuldades com banheiros que tinham banheira em vez de chuveiro adequado para suas necessidades.
  • O passeio continuou com visitas ao Birdland, ao Museum of Modern Art e ao Studio Museum in Harlem, destacando experiências de acesso e momentos de reflexão sobre a nova perspectiva.
  • Ao visitar Summit One Vanderbilt, sentiu-se incluída em uma experiência multissensorial; a experiência final no jantar no Kabawa reforçou a busca por espaços realmente acessíveis e por tratar a si mesma com gentileza diante das mudanças.

A escritora de gastronomia do New York Times, conhecida por seu trabalho em Nova York, relata uma experiência significativa após perder as pernas. Em 2023, ela ficou hospitalizada por meses com erros médicos; em junho de 2024 voltou para casa, em Brooklyn, como pessoa com amputação bilateral abaixo do joelho. O uso da cadeira de rodas tornou-se sua principal forma de se deslocar e interagir com o mundo.

A narrativa acompanha o sentimento de ser turista no próprio lar. Ela descreve obstáculos diários que limitam deslocamentos, como degraus, soleiras, degraus de entrar em plataformas de trem e obras na cidade. Mesmo em dia comum, a acessibilidade passa a ditar escolhas e rotas.

Roteiro de três dias em Manhattan

Ela e o marido montaram um roteiro para avaliar como o espaço público, instituições culturais e restaurantes respondem às suas necessidades. O objetivo é medir acessibilidade real por meio de visitas a parques, museus e estabelecimentos com acessibilidade.

O primeiro dia começou em Little Island, parque flutuante à beira do Hudson, seguido de uma parada no Chelsea Market. No meio da tarde, esse grupo seguiu para o hotel Sofitel, no Midtown, para checar se o quarto atendia suas necessidades, incluindo mobilidade na casa de banho.

Durante a noite, o casal jantou no Le Rock, próximo ao Rockefeller Center, e assistiu a Dee Dee Bridgewater no Birdland, com acesso facilitado pela equipe do local. A experiência musical reforçou a importância de espaços inclusivos para ela.

Desafios cotidianos de mobilidade

No segundo dia, uma entrada acessível na cafetería Blue Bottle mostrou-se inconsistente; o casal precisou encontrar alternativas. O Museu de Arte Moderna (MoMA) ofereceu duas exposições importantes que a autora visitou com a cadeira, destacando a importância de circulação.

A artista contou ainda que, em Summit One Vanderbilt, a visitação em elevador transparente proporcionou sensação de inclusão. Contudo, abriu espaço para refletir sobre limitações físicas enfrentadas em áreas de acesso público.

Museus e percepção de espaço

No Studio Museum in Harlem, a reforma recente facilitou a circulação, mas portas de vidro apresentaram resistência para quem depende de força nas mãos. Esses momentos reforçam mudanças necessárias na estrutura de espaços culturais.

Ao fim da experiência, a autora descreve uma sensação dupla: inspiração pela acessibilidade que encontrou e tristeza pela perda da perspectiva anterior. O relato enfatiza a importância de ambientes que atendam a todos, sem segregação de trajetos.

Reflexão sobre a cidade

A viagem como turista temporário mostrou que a cidade pode ser desafiadora para quem usa cadeira de rodas. Ela avalia que é preciso mais que boa vontade: é necessário planejamento e adaptação contínua. A autora aponta a necessidade de acessibilidade integrada como requisito básico da cidade.

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