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Desafio de 10 minutos analisa Cityscape de Romare Bearden

Mural Cityscape de Romare Bearden, de 1976, na Bellevue Hospital, inspira equipe de enfermagem a usar arte como ferramenta para combater burnout

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  • A obra Cityscape, de Romare Bearden, criada em 1976, é um mural de 26.5 feet long e 7.5 feet tall, instalado no Bellevue Hospital, em Manhattan.
  • O mural retrata a vida de um quarteirão de Nova York nos anos 1970, feito com recortes de fotos, tinta, grandes retângulos de papel colorido e tecido, em grade.
  • Originalmente encomendado pelo Lincoln Hospital no Bronx, a peça já enfrentou controvérsia local e foi levado para armazenagem antes de chegar ao espaço atual.
  • Bellevue, o hospital público mais antigo dos Estados Unidos, mantém uma extensa coleção de arte e um programa chamado Arts in Medicine para ajudar no bem-estar de profissionais de saúde.
  • Numa sessão recente, 13 enfermeiras e duas educadoras observaram a obra e participaram de uma atividade criativa para tratar o burnout e discutir a relação entre arte e cuidado.

Romare Bearden’s Cityscape, obra criada em 1976, ganhou destaque ao ser instalada na enfermaria do Bellevue Hospital, em Manhattan. Com pouco mais de 20 pés de largura, o mural permanece como foco de um desafio de 10 minutos que convida o observador a contemplar a cena por alguns minutos sem interrupções. A obra fica em um canto iluminado por fluorescência, próximo à emergência.

A lona mostra uma visão de um quarteirão de Nova York na década de 1970, construída com fotografias recortadas, tinta e grandes retângulos de papel colorido. O tema central aponta para cenas de cuidado, intimidade e vida cotidiana, contrapontando o olhar externo da cidade com vidas interiores.

Bearden produziu Cityscape para o Lincoln Hospital no Bronx, em 1976, momento marcado pela crise na região. A obra foi originalmente alvo de controvérsia local e, por breves dias, ficou armazenada antes de chegar ao seu atual espaço no Bellevue. A história da peça resume tensões entre arte pública, cultura latina e política local da época.

Contexto da obra e da memória

Bearden nasceu em 1911, no sul dos Estados Unidos, e cresceu em Harlem, durante a Grande Migração. A sua trajetória mistura referências da Renascença de Harlem com imagens da vida colorida da cidade, incluindo imagens de famílias, crianças e nuvens de cidade. O artista também explorou suas raízes no sul, em colagens que remetem a um contexto rural e de deslocamento.

O Bellevue Hospital, dedicado ao atendimento público, recebe a maior parte de pacientes com Medicaid ou sem seguro. A instituição mantém uma extensa coleção de arte pública e utiliza a prática artística como ferramenta de saúde mental para profissionais, através de programas de artes na medicina.

A experiência terapêutica

Recentemente, 13 enfermeiras e dois educadores da Whitney Museum participaram de uma sessão perto do mural. A atividade envolveu diálogo sobre as sensações provocadas pela obra e, em seguida, exercícios criativos com instrumentos simples. Pesquisas citadas pelos facilitadores apontam que períodos breves de contato com arte podem melhorar o bem-estar e reduzir a exaustão.

Uma das profissionais descreveu a diversidade retratada no mural como reflexo da clientela do hospital, destacando o papel da arte como ponte entre comunidades. Em outra fala, destacou-se a sensação de isolamento presente na cena, com diferentes espaços convivendo na mesma cidade.

Sobre a cidade e a história

Bearden também integrou uma visão musical à sua produção, comparando a construção de Cityscape a uma improvisação de jazz, com pausas, repetições e respostas ao ambiente. A trajetória do artista inclui uma estada no Harlem e uma ligação profunda com a cultura afro-americana, que se reflete em obras que dialogam com o Renascimento e as dinâmicas urbanas de Nova York.

A instituição destaca que Cityscape é apenas uma das peças que ajudam a entender a relação entre arte pública, cuidado médico e memória coletiva de comunidades locais. No conjunto de obras do Bellevue, a arte cumpre função educativa e de cuidado, reforçando o compromisso de não excluir pessoas pela condição econômica.

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