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Jovens trocam excessos de tela por crochê

Gerações Y e Z trocam telas por crochê, usando a arte como refúgio contra o estresse e abrindo caminho para carreira e expressão criativa

A influenciadora Juliana Perezino, 29
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  • Gerações Y e Z estão trocando o excesso de telas pela prática do crochê, usando fios coloridos como forma de relaxamento e expressão artística.
  • Três jovens aparecem como exemplos: Juliana Perezino, Marie Castro e Junior Silva, que transformam o crochê em carreira ou conteúdo online, sem abandonar o refúgio que a atividade oferece.
  • Juliana começou aos seis anos e, hoje, produz tutoriais digitais no TikTok; Marie, que começou aos oito, busca autonomia e usa o crochê para materializar ideias; Junior, que aprendeu aos onze, tornou o crochê sua profissão ainda jovem.
  • Especialistas afirmam que artes manuais ajudam a reduzir o estresse e o bombardeio de estímulos das telas, atuando como recurso de bem-estar que não substitui tratamentos clínicos.
  • A psicologia aponta que o crochê funciona como ferramenta de reconexão com o humano em um mundo digital, mas é complemento, não terapia clínica.

O crochê deixa de ser passatempo para jovens das gerações Y e Z, que transformam fios coloridos em roupas, acessórios e até marcas próprias. A prática emerge como forma de expressão, relaxamento e, para alguns, uma nova carreira no universo da moda.

Entre os adeptos estão Juliana Perezino, 29, Marie Castro, 37, e Junior Silva, 21, conhecido como Junior Crocheteiro. Eles aprenderam em casa, observando familiares tecerem, e hoje usam a arte para enfrentar o estresse e reduzir a dependência de telas.

Juliana iniciou cedo, aos seis anos, na casa da avó em Caldas Novas, Goiás. Na faculdade de arquitetura, retomou as agulhas para criar peças vendidas entre amigas. Em 2022 mudou-se para São Paulo com o namorado e passou a produzir conteúdos digitais, oferecendo tutoriais das suas criações.

Marie começou o contato aos oito anos, com a tradição familiar das artes manuais. Ao longo dos estudos de vestuário, venceu um concurso de criadores que lhe abriu caminho para inserir o crochê no seu trabalho. Hoje, ela vê na prática um caminho de autonomia e empoderamento.

Junior descobriu o crochê aos 11 anos, inspirado pela avó e pela tia. Aos 15 já fazia lives ensinando a técnica, superando preconceitos sobre o papel de um jovem homem nesse conteúdo. Aos 18 anos firmou-se financeiramente em São Paulo, conciliando design de moda com a marca própria.

Reconexão

Especialistas veem o movimento como fenômeno de mercado e comportamento, aliado ao desejo de desacelerar em meio a um mundo saturado de telas. A prática retorna como forma de resistência e de reconexão com o humano, sobretudo em ambientes de trabalho estressantes.

Para a FAAP, a professora Edilma Salamanca, o crochê representa a ponte entre tendências de passarela e expressões de rua que influenciam o luxo, além de facilitar a presença e o foco em momentos de sobrecarga digital. A psicóloga Claudinei Affonso, da PUC, afirma que artes manuais ajudam na reconexão mental, sem substituir tratamentos clínicos, servindo como complemento ao relaxar a mente.

O crochê, no entanto, não substitui a arteterapia nem intervenção profissional quando há questões de saúde mental. O conteúdo destaca que o artesanato pode aliviar ansiedade e oferecer sensação de conquista, mas exige acompanhamento clínico adequado quando necessário.

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