- Pais assumem a curadoria de conteúdos infantis em pleno streaming, já que não há horário fixo nem regulação equivalente à televisão.
- Bianca Pereira evita depender de algoritmos e utiliza sua memória de infância para selecionar filmes como Ursinho Pooh e Toy Story, considerados mais seguros.
- A psicóloga Ana Carolina Sodré diz que animações antigas respeitam melhor o tempo de pausa sináptica e ajudam o desenvolvimento cerebral.
- Mesmo com curadoria, escolhas podem falhar, como o filme O Grinch que deixou o filho de Bianca com pesadelos, mostrando a importância da observação individual.
- Recomendações incluem manter rotina de uso da tela, evitar assistir antes de dormir e buscar desenhos com narrativa definida para estimular compreensão e habilidades.
O conteúdo audiovisual para crianças não acabou, apenas migrou da TV para computadores e smartphones. Sem horário fixo de exibição, a curadoria dos pais ganha destaque no streaming. A escolha não fica nas mãos de algoritmos, afirma Bianca Pereira, 32, mãe de Benício, 5.
Bianca usa a própria memória de infância como referência e seleciona conteúdos vistos por ela. Entre os favoritos, Ursinho Pooh e Toy Story passam de mãe para filho, por serem temas considerados tranquilos. Remakes com estética mais realista aparecem como crítica.
Para a psicóloga Ana Carolina Sodré, responsável por acompanhar casos de infância e família, conteúdos antigos podem respeitar melhor o tempo de pausa sináptica entre neurônios. Ela aponta benefícios na compreensão de narrativas com começo, meio e fim.
Curadoria e rotina
Bianca acompanha lançamentos para avaliar a adequação de cada título à idade de Benício. Em alguns casos, a experiência não garante tranquilidade; o Grinch, por exemplo, gerou pesadelos e a criança deixou de assistir.
Ana Carolina alerta para evitar depender apenas da experiência pessoal na seleção. Ela recomenda que as famílias mantenham rotina de televisão em vez de navegação contínua em plataformas, e evitem assistir filmes perto da hora de dormir.
Benício já entende a ordem da casa: banho, jantar e, por fim, o desenho. A mãe diz que ele sabe usar o controle, mas prefere perguntar antes de iniciar. A rotina com escolhas de baixo estímulo pode favorecer a concentração.
Para a psicóloga, identificar alto ou baixo estímulo envolve observar cortes de imagem e mudanças de ação. Se ocorrerem em mais de três segundos, o conteúdo tende a ter menor estímulo. Narrativas claras ajudam no raciocínio da criança.
A recomendação prática é buscar desenhos com começo, meio e fim, que estimulem a compreensão da história. Assim, a criança pode imaginar soluções para problemas, fortalecendo a percepção e a memória.
Bianca reforça que telas, quando curadas e usadas com cuidado, não são vilãs. Alguns títulos simplesmente continuam inacessíveis para Benício, por ora, até que a curiosidade amadureça.
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