- Quase metade dos idosos que vivem em áreas urbanas teme cair por defeitos em calçadas, passeios e vias próximas de casa (42,7%), com 50,5% entre mulheres e 63,1% entre pessoas com 80 anos ou mais.
- 12,1% dos idosos consideram a vizinhança muito insegura por violência, o que afeta a circulação social e a qualidade de vida.
- A hipertensão é comum: 34,4% têm pressão igual ou superior a 14 por 9, o que afeta cerca de 11 milhões; 59,8% tinham diagnóstico da doença.
- Vinte vírgula quatro por cento têm dificuldade para realizar ao menos uma atividade básica da vida diária, e apenas 37,9% recebem algum tipo de ajuda.
- O SUS é central no cuidado aos idosos: cerca de dois terços dependem do sistema público, e 69,2% estão vinculados à Estratégia Saúde da Família (ESF). O painel ELSI-Brasil foi lançado para monitorar esses indicadores.
Quase metade dos idosos brasileiros que vivem em áreas urbanas teme cair por defeitos em calçadas, ruas e vias próximas de casa, segundo a terceira onda do ELSI-Brasil. O levantamento também aponta que 12% consideram a vizinhança muito insegura por violência. Os resultados foram divulgados junto ao lançamento de um painel com 107 indicadores sobre envelhecimento.
O estudo, coordenado pela Fiocruz Minas e pela UFMG, evidencia que envelhecer no Brasil envolve desafios que vão além da saúde. Os dados destacam a importância de políticas públicas que considerem todo o ambiente urbano, incluindo mobilidade, moradia e segurança.
Desafios urbanos e saúde
A pesquisa mostra que 42,7% dos idosos em cidades temem quedas por problemas nas calçadas, com 50,5% das mulheres e 63,1% dos com 80 anos ou mais preocupados. Ao todo, 20,9% vivem quedas no último ano. A hipertensão atinge 34,4% dos idosos, estimando cerca de 11 milhões de pessoas.
Entre os idosos, 59,8% já tinham diagnóstico prévio de hipertensão, o que reforça a necessidade de monitoramento regular na atenção primária. A orientação foi para buscar acompanhamento frequente nas unidades de saúde.
Cuidado, autonomia e suporte
Cerca de 6,5 milhões de idosos apresentam dificuldade em ao menos uma tarefa básica da vida diária, como higiene ou vestimenta, e apenas 37,9% recebem algum tipo de ajuda. O estudo ressalta a baixa preparação de cuidadores, com apenas 5,8% recebendo treinamento específico.
A pesquisadora Maria Fernanda Lima-Costa enfatiza a urgência de integrar as políticas públicas de saúde, urbanismo e assistência social, para preservar a autonomia na velhice. Ela também destaca o papel do SUS na atenção à população 60+, com dois terços dependentes do sistema público e 69,2% vinculados à Estratégia Saúde da Família.
Painel como ferramenta estratégica
O novo painel do ELSI-Brasil consolida indicadores sobre moradia, saúde física e mental, funcionalidade, acesso a serviços e ambiente social. A ferramenta facilita o monitoramento contínuo das condições de vida da população idosa e serve pesquisadores, gestores e profissionais de saúde.
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