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O que as pessoas procuram ao ligar o celular

Checar curtidas pela manhã alimenta comparação constante e pode elevar ansiedade e baixa autoestima, diante de uma vida editada pelo feed

Antes do café, antes do trabalho: as curtidas
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  • Pergunta central: o que buscamos ao abrir o celular pela manhã, especialmente ao ver as curtidas.
  • Um paciente no consultório relata ansiedade ao verificar o número de curtidas de um post recente, repetindo o ritual matinal.
  • O texto afirma que o feed atual facilita comparações em tempo real com o que é exposto, não com a realidade.
  • O algoritmo tende a manter a nossa atenção exibindo a vida editada do outro, alimentando desejos de ter o que aparece no feed.
  • Impactos potenciais incluem depressão, ansiedade e baixa autoestima; convém refletir sobre o que realmente se procura ao abrir o celular.

Em um consultório, um paciente mostrou preocupação com o número de curtidas recebidas em um post da véspera. O episódio ocorreu pela manhã, quando ele abriu o celular logo ao acordar para checar as métricas das redes sociais. A cena foi narrada pelo médico responsável pelo atendimento.

O médico em questão é o Dr. Arthur Guerra, professor da Faculdade de Medicina da USP e da Faculdade de Medicina do ABC, além de cofundador da Caliandra Saúde Mental. O relato aponta que o ritual diário de checar curtidas é repetido pela manhã por várias pessoas, independentemente do conteúdo postado.

Segundo o relato, o que parecia ser uma prática inócua pode evoluir para um impulso persistente de comparar a própria vida com a dos outros. O médico destaca que o algoritmo captura a atenção de forma contínua, alimentando a percepção de que a vida alheia é superior, o que pode impactar a autoestima e gerar ansiedade.

O tema é apresentado como uma reflexão sobre o papel das redes sociais na vida cotidiana. O médico afirma que não há proposta de abandonar as redes, mas sugere questionar o que se busca ao abrir o celular pela manhã e reconhecer padrões que podem exigir cuidado emocional.

Dr. Arthur Guerra assinala que a exposição constante a imagens editadas pode influenciar a percepção de realidade, levando a sentimentos de inadequação. Estudos apontam que esse tipo de comparação pode associar-se a depressão, ansiedade e baixa autoestima, dependendo da frequência e do contexto.

O relato reforça a necessidade de uma leitura crítica sobre o uso das redes. O profissional orienta que, ao acordar, é possível buscar metas reais e alinhadas aos próprios valores, reduzindo o impacto de validação externa.

Fonte: relato do Dr. Arthur Guerra, médico e pesquisador ligado à saúde mental. O conteúdo apresentado é exclusividade do autor, sem vinculação direta com instituições específicas da imprensa.

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