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Produtos que parecem saudáveis podem fazer mal à saúde

Marketing de saúde engana: produtos saudáveis escondem açúcar; consumidor deve ler rótulos e optar por itens com poucos ingredientes

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  • Pesquisadores da Unifesp indicam, em estudo de 2026, que grandes empresas ampliaram itens ultraprocessados embalados como funcionais ou melhores para você, dificultando políticas públicas e a leitura de rótulos.
  • Granola, iogurte saborizado, suco de caixinha, pão integral e barra de cereal aparecem como exemplos de produtos que parecem saudáveis, mas podem esconder alto açúcar e ingredientes pouco transparentes.
  • A ordem dos ingredientes é crucial: o que aparece primeiro está presente em maior quantidade, o que pode desmentir o rótulo “saudável” na prática.
  • A Anvisa criou a lupa de alerta nutricional em 2020 para sinalizar excesso de açúcar, gordura saturada e sódio; houve prorrogações de prazo e ações judiciais que, em 2024, obrigam a aplicação correta.
  • Dicas práticas: prefira poucos ingredientes, iogurte natural, aveia com frutas, fruta inteira em vez de suco e pão com farinha integral como ingrediente principal.

Granola no café da manhã, barrinha no lanche e suco de caixinha para crianças têm ganhado crédito de saudáveis, mas escondem armadilhas reais. Consumidores chegam ao caixa com sensação de acerto e, com o tempo, descobrem o efeito negativo nas contas e na saúde.

Pesquisadores da Unifesp apontam, em estudo de 2026, que grandes empresas ampliaram linhas de ultraprocessados embalados como funcionais, fortificados ou melhores para você. A prática dificulta políticas públicas, como rotulagem de alerta e restrição de publicidade.

Essa estratégia busca enriquecer margens comerciais ao mesmo tempo em que se coloca como solução. O consumidor fica sem clareza plena sobre o que está comprando, o que gera escolhas indiscriminadas no dia a dia.

O que está por trás dos rótulos

A granola, associada a naturalidade, costuma ter açúcar entre os primeiros ingredientes. A ordem na lista de ingredientes indica maior presença do que vem primeiro, o que pode desfavorecer a percepção de saudabilidade.

O iogurte com sabor segue o mesmo caminho. Aromatizantes, espessantes e excesso de açúcar muitas vezes anulam possíveis benefícios dos probióticos presentes.

O suco de caixinha, inclusive rotulado como 100% fruta, perde fibras no processo industrial e entrega principalmente frutose líquida, substituindo a água e a fruta no dia a dia.

O pão integral também costuma enganar: legislação não exige farinha integral predominante para o rótulo, permitindo produtos com pouca proporção de integral no ingrediente principal.

Como reconhecer e agir

A regra prática é simples: menos ingredientes, melhor. Se o rótulo precisa de parágrafo extenso para justificar a saúde, desconfie.

Trocas recomendadas incluem iogurte natural em vez do saborizado, aveia com frutas e sementes no lugar da granola pronta, fruta inteira em vez de suco industrializado e pão com a farinha integral como ingrediente principal.

Antes de colocar a embalagem no carrinho, pergunte-se quem definiu o produto como saudável: a marca ou você?

Contexto regulatório

O Brasil dispõe da rotulagem de alerta nutricional criada pela Anvisa em 2020 para sinalizar excesso de açúcar, gordura saturada e sódio. A indústria pediu prorrogações, gerando atrasos na obrigatoriedade.

O Idec acionou a Justiça Federal para assegurar o cumprimento das regras. Em 2024, a Justiça reconheceu a necessidade de informar bem o consumidor, fortalecendo o direito de escolha consciente.

Observações finais

A orientação é manter atenção aos rótulos e priorizar escolhas simples e naturais quando possível. O foco permanece em linguagem factual, sem juízo de valor ou conclusão sobre cada marca.

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