- Após ser entregue para adoção em 1974, o escritor reconectou-se com os pais biológicos apenas anos depois, em uma situação marcada por tensões e questões não resolvidas.
- Em setembro de 2023, ele descobriu que a mãe biológica, Susan Barras, havia morrido quase um ano antes, aos sessenta e nove anos, e que havia mudado de nome para Suzann Doyle; o pai biológico, Monti, morreu em 2018.
- Susan deixou toda a herança para caridade, mudou de endereço e revelou ter passado por câncer de intestino e um longo afastamento da família, além de ter buscado manter o vínculo com o filho adotivo de maneiras ambíguas.
- A reconciliação com Susan, iniciada em 2005, tornou-se tensa, com discussões sobre a adoção e traumas, levando o autor a interromper o contato após várias tentativas de estabelecer limites.
- O autor também descobriu detalhes sobre Monti, incluindo alcoolismo e um passado conturbado, e manteve um vínculo com o meio-irmão Bryan, enquanto busca compreender as próprias identidades familiar e étnica.
Durante décadas, David Batty foi adotado no Reino Unido. Em 2023, ao reatar contato com os pais biológicos, mergulhou em uma história marcada por perdas abertas, segredos e uma complexa teia familiar que vai muito além de um conto de fadas.
Em setembro de 2023, ele tomou conhecimento de que a mãe biológica, Susan Barras, havia morrido quase um ano antes. O informativo apareceu em uma antiga notificação de inventário, após uma busca por correspondência antiga no trabalho.
Susan morreu aos 69 anos, já com mudanças de nome e morando em uma pequena quitinete próxima à estação de trem de Guildford. O pai biológico, Monti, havia falecido em 2018, aos 70, de falência hepática. O detetive particular ajudou a localizar parentes no exterior.
Contexto da adoção
A história começa em 1974, quando David foi levado de uma agência de adoção religiosa em Londres para a casa dos pais adotivos em Brighouse. Aos poucos, os registros revelaram que a agência minimizava a etnia dele, que era mista, para facilitar a adoção.
Ao longo dos anos, David buscou informações sobre os pais biológicos. Em 2003-2004, com apoio de PAC-UK, ele iniciou o contato com Susan, que vivia em Twickenham. O processo exigiu aconselhamento devido a leis de adoção antigas, em vigor antes de 1976.
Reencontro com Susan
O reencontro ocorreu em 2005, em Londres, na Tate Modern. Susan era inteligente e humorada, mas passou a detalhar o impacto emocional da adoção sobre ela, além de tensões familiares. Os encontros se tornaram mais frequentes, com discussões sobre o passado e a percepção de culpa.
Conflitos aumentaram quando Susan afirmou ter sido marcada por traumas, incluindo uma ruptura com a própria família e dificuldades antigas. O relacionamento ficou tenso e, com o tempo, o contato passou a ocorrer menos vezes, até cessar por completo em 2008.
Finanças, morte e legado
A investigação sobre o testamento revelou que Susan teria deixado a maior parte de seus bens para caridade, sem participação de familiares próximos. Além disso, houve indícios de que Susan teve câncer de intestino e que, mais tarde, o motorista responsável pelo acidente que a matou foi inocentado no processo.
O pai biológico Monti viveu nos EUA por um período, mudou de nome e teve outro filho, Bryan. A relação com David foi marcada por longos períodos de distância, eventual encontro em LA e a descoberta de uma vida marcada por dificuldades.
Caminhos paralelos
O caso expõe o peso do passado de adoção forçada na Inglaterra, tema que ganhou atenção legislativa e debates sobre pedidos de desculpas oficiais. A pesquisa de historiadores aponta que avaliações de Susan e de sua família eram baseadas em preconceitos da época, não em fatos confiáveis.
A trajetória de David não encerra a questionamento sobre adoção, pois ele continua buscando compreender sua identidade. O reconhecimento público de falas sobre reparação estatal ainda é debatido no governo britânico.
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