- Mari Camardelli, autora do livro “(Sobre) Carga Mental”, relata burnout no ano passado e mudou a forma de pensar para evitar que os filhos vejam ela como responsável por tudo.
- Ela defende distribuir tarefas e alerta que assumir toda a carga envia a mensagem de que os demais não precisam atuar.
- No livro, publicado em 2024 pela Much Editora, a educadora ressalta que os filhos devem vê-la cuidando de si mesma também, como ir à ginástica ou ficar em casa sem atividades de cuidado.
- A ideia central é a necessidade de a mulher ouvir a própria voz, impondo limites para evitar ressentimento, inclusive questionando padrões de centralidade de informações no ambiente doméstico.
- Psicóloga Carla Antloga, da Universidade de Brasília, reforça a importância de aprender a dizer não e a pedir ajuda, discutindo situações como guarda compartilhada e cuidado de idosos.
Mari Camardelli, autora do livro (Sobre) Carga Mental, compartilha como mudou sua forma de pensar após um burnout no ano passado. A obra, publicada em 2024 pela Much Editora, alerta para a necessidade de distribuir tarefas.
Ela afirma que não quer que os filhos pensem que ela cuida de tudo. Por isso, busca que eles a vejam em atividades próprias, como ginástica, convivência com amigas, ou simplesmente descansando.
A autora defende que a divisão de afazeres é essencial para reduzir a exaustão. Cada tarefa que é assumida pela pessoa errada reforça o modelo de que quem cuida de tudo é quem fica à frente da casa.
Desafios na dinâmica familiar
A educadora e especialista em inteligência emocional lembra que a cobrança de ser a central de informações pode recair sobre a mulher. Em tom objetivo, ela diz que perguntas corriqueiras do parceiro costumam desviar energia importante.
A psicóloga Carla Antloga, da UnB, ressalta que esse padrão aumenta o desgaste psíquico. Diz que aprender a dizer não é um passo fundamental, embora nem sempre haja opções, como em guarda compartilhada.
Antloga também aponta a necessidade de pedir ajuda e aceitar apoio. O objetivo é evitar que a carga recaia apenas sobre uma pessoa e que as crianças presenciem modelos de responsabilidade desiguais.
Caminhos práticos e limites
Camardelli reforça que a equação da vida familiar não deve gerar ressentimento. A ideia é estabelecer limites saudáveis para que a mulher não se veja obrigada a responder a todas as demandas.
A especialista em parentalidade destaca que, em alguns cenários, pedir ajuda pode evitar que tarefas se acumulem. O foco permanece em manter o bem-estar individual sem excluir a colaboração entre todos os membros da casa.
A autora sugere ainda que perguntas simples, como organização de horários e prioridades, possam ser repassadas de forma compartilhada, reduzindo a sobrecarga da mulher e fortalecendo a cooperação.
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