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Alimentação e angústia: como o estresse afeta nossos hábitos alimentares

Relato pessoal mostra como a angústia gera compulsões alimentares constantes, com danos à dentição e impacto na vida criativa

Giovana Madalosso
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  • A autora fala abertamente de um transtorno alimentar ligado à angústia, não à fome física, que persiste ao longo da vida.
  • A memória inicial é de 1986, aos seis anos, quando comer rápido salgados desencadeou mal-estar e vômito, gerando aversões posteriores a certos alimentos.
  • Ao trabalhar como escritora, a angústia se intensifica: a página em branco e prazos a conduzem à geladeira, mesmo sem fome.
  • A mudança de hábitos, especialmente parar de fumar, agravou a compulsão, com episódios como comer cenouras baby e até quebrar um molar.
  • Meditação tem ajudado a autora a observar a compulsão; o texto usa a presença de duas versões de si mesma para desvendar o comportamento alimentar.

O relato acompanha uma trajetória marcada por transtornos alimentares que moldaram hábitos e emoções ao longo de décadas. A narradora descreve a busca por alívio na comida como forma de lidar com angústia, sobretudo durante períodos de escrita e prazos.

A história começa em 1986, quando tinha seis anos. Em uma festa, ao se sentir deslocada, buscou conforto na comida rápida. Comer muitos salgadinhos acabou gerando mal estar, com episódios de vômito. A experiência deixou marcas que voltariam a surgir.

Ao longo da vida, a pessoa convive com a angústia que não se acalma apenas pela fome física. A “fome” parece mirar uma dança entre maxilares e a sensação de que mastigar poderia aliviar a pressão interna, funcionando como mecanismo de enfrentamento.

O texto aponta que o problema não se restringe à estética. Após a adolescência e início da carreira de escritora, a compulsão reaparece com intensidade, especialmente diante de prazos. O consumo de cenouras baby aparece como exemplo de compulsão repetitiva.

A narradora relata ainda que parar de fumar intensificou a compulsão, associando a fase de escrita a comportamentos alimentares repetitivos. Em determinado momento, uma quebra dental revela a gravidade do padrão e a necessidade de olhar com mais cuidado para o que está por trás.

Meditação surge como ferramenta de observação e distanciamento do impulso. O relato descreve episódios em que a tentação se impõe pela rotina: o ir à despensa, o pacote de snack e o retorno à mesa de trabalho, sem saborear o alimento.

O texto evidencia a busca por compreensão e pela mudança, mesmo diante de hábitos arraigados há 50 anos. A autora não pretende oferecer soluções rápidas, apenas compartilhar a experiência de enfrentar a própria fragilidade com estratégias como a atenção plena.

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