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Denise Fraga diz que presença pode ser treinada olhando nos olhos durante a fala

Denise Fraga defende que exercitar a presença, olhando nos olhos, pode fortalecer a memória e as relações em meio ao overload digital

Denise Fraga: "Exercício de presença não se aprende só no curso de meditação ou mindfullness. Pode ser aprendido diariamente olhando nos olhos de quem está falando" — Foto: Magnific
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  • Denise Fraga, atriz e colunista da revista Crescer, afirma que memória é definida pelo que lembramos, sentimos e o que nos dizem que somos.
  • Ela atribui parte do esquecimento a fatores como envelhecimento, menopausa, covid e ao excesso de estímulos da vida digital.
  • Em suas lembranças, destaca a memória de uma infância com o penico no meio da sala e questiona se essa memória é dela ou da mãe.
  • Defende que o “grau de presença” pode ser exercitado diariamente: olhando nos olhos de quem fala, abraçando, segurando a porta e lembrando o nome de quem atende.
  • Conclui que construir memórias depende da presença na experiência e da maneira como a família e as experiências sociais ajudam a moldá-las, além de sugerir ouvir histórias antes de formar opinião.

Denise Fraga, atriz e colunista da revista Crescer, discute memória, presença e os impactos do mundo digital em sua mais recente reflexão publicada. O texto questiona por que lembramos de certas coisas e esquecemos outras, e aponta a presença como recurso cotidiano para fortalecer lembranças.

A autora destaca que o esquecimento não é apenas efeito da idade ou de processos biológicos como menopausa ou sequelas da covid-19. Segundo ela, a sobrecarga de estímulos digitais pode comprometer tanto a imaginação quanto a memória de eventos vividos.

Fraga admite que a memória é híbrida: o que lembramos envolve o que sentimos, o que pensamos ser, e o que nos contam sobre nosso passado. Ela reforça a ideia de que a memória pode ser construída pela interação entre experiência, memória afetiva e linguagem externa.

Ela lembra de memórias da própria infância para ilustrar o tema, questionando se certas lembranças pertencem a ela ou à lembrança que a mãe relembrou. A autora aponta que a fronteira entre experiência própria e memória recebida pode se confundir ao longo do tempo.

Para a autora, a solução está no que ela chama de “exercício de presença”: olhar nos olhos de quem fala, dar abraços, segurar portas, lembrar o nome de quem atende — ações simples que fortalecem a presença no momento e ajudam a conservar lembranças.

Presença na prática diária

A peça sugere que a memória se fortalece por meio de interações cotidianas e da empatia. Fraga propõe uma vida mais atenta ao outro, com atitudes que valorizem o encontro e a comunicação direta, sem depender apenas de dispositivos digitais.

Segundo a autora, o exercício de presença pode enriquecer a forma como contamos nossas histórias, mantendo viva a experiência compartilhada. O texto também ressalta a importância de ouvir histórias antes de formar opiniões.

A coluna incentiva a curiosidade sobre a experiência humana como forma de preservar memórias autênticas, mesmo em meio ao caos contemporâneo. A proposta é cultivar a disponibilidade para aprender com cada encontro.

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