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Fotógrafo que acompanhou Ronaldo e Romário esquece jogos após acidente doméstico

Fotógrafo Antônio Gaudério, que acompanhou Copas, acordou com amnésia após acidente doméstico em 2008 e convive com afasia, sem lembrar partidas

Premiado fotojornalista, Antônio Gaudério fez registros históricos da Copa, mas não lembra de nenhuma partida
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  • O fotojornalista Antônio Gaudério, 68 anos, sofreu um acidente doméstico em 2008 que lhe tirou parte da memória e das recordações de suas fotografias.
  • Em 2006, ele viajou com a seleção brasileira à Copa da Alemanha, registrando Ronaldo, Ronaldinho e Adriano.
  • Em 1994, acompanhou a campanha rumo ao tetra na disputa contra a Itália, com Dunga e Bebeto no time.
  • A consequência mais persistente é a afasia; ele não lembra de ter visto seus filhos nascerem, nem de muitos nomes e datas, e perdeu a habilidade de ler e escrever.
  • A filha Aurora, 31, lidera a revisão do acervo familiar, planeja divulgar as imagens e prepara um livro e um documentário; Gaudério hoje acompanha o futebol atual e ajuda na seleção de fotos para o Instagram, com apagamentos de memória dos episódios do passado.

Antônio Gaudério, fotojornalista premiado, perdeu a memória após um acidente doméstico em 2008. A lucidez sobre milhares de imagens ao longo de décadas ficou parcialmente apagada, alterando sua relação com o próprio arquivo.

Entre as lembranças intactas, surgem relatos de viagens e registros importantes. Em 2006, ele esteve a serviço da seleção brasileira na Alemanha, capturando Ronaldo, Ronaldinho e Adriano. Em 1994, acompanhou a campanha rumo ao tetra contra a Itália.

O acidente ocorreu em Itacuruçá, no interior do Rio de Janeiro, onde Gaudério sofreu traumatismo cranioencefálico ao cair em um sítio. Foi submetido a cirurgia, com prognóstico reservado, e as sequelas incluíram dificuldades de memória e linguagem.

Carreira e acidente

A trajetória do fotógrafo começou na Bahia, quando ainda jovem, e ganhou destaque ao abrir sua própria publicação. Na sequência, atuou em jornais da região sul e, posteriormente, na Folha de S. Paulo, nos anos 90. Conhecido por cobrir denúncias de direitos humanos, também era apaixonado por esportes.

A afasia persiste como a consequência mais severa. Gaudério não se recorda de datas, nomes ou do nascimento das filhas, embora haja momentos de reconhecimento afetivo, como o reencontro com a filha após o hospital. O impacto alterou sua vida familiar.

Memória e legado

A família organizou esforços para reaprendizagem de leitura e escrita. Há uma década, começaram a revisar o vasto acervo de fotos e negativos, o que transformou a relação entre pai e filha. A filha mais velha descreve o processo como recuperação conjunta da memória familiar.

Aurora, formada em letras, atua na divulgação do trabalho. Ela relata que a revisão do arquivo se tornou exercício terapêutico, ajudando a entender o histórico do pai e o contexto de cada imagem. O objetivo é catalogar com maior precisão o acervo.

Hoje, Gaudério ancora atividades no presente: ajuda a selecionar fotos publicadas no Instagram, participa de exposições e planeja um livro e um documentário. Mesmo sem lembrar das Copas que cobriu, ele segue torcendo pelo Brasil, com caderninho para acompanhar os jogos.

O fotógrafo também convive com limitações físicas: a visão prejudicada de um olho e o uso de equipamentos simples para manter o registro. O legado inclui as imagens históricas que ele ainda consegue contextualizar, com o apoio da família.

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