- Freud, em O Mal-Estar na Civilização, aponta três fontes de sofrimento: o corpo, a natureza e as relações humanas; entre elas, as relações humanas podem ser as mais complexas.
- No trabalho convivemos com pessoas diferentes, dependemos delas, somos avaliados, precisamos cooperar e, às vezes, competir.
- Para funcionar, é preciso controlar impulsos, administrar frustrações, medir palavras, sustentar relações difíceis e participar de reuniões.
- A cultura organizacional influencia como as relações são vividas: rivalidades, ambiguidade, isolamento, competição predatória ou medo aumentam o mal-estar; culturas que favorecem cooperação e diálogo reduzem.
- O mal-estar persiste, mas a forma de estruturar as relações pode reduzir ou ampliar a intensidade, tornando o trabalho um espaço capaz de evitar adoecimento.
O mal-estar no trabalho é o tema central de uma coluna opinativa que examina como o lugar de trabalho revela as dificuldades da convivência humana. O autor sustenta que, desde 1930, a ideia de que o sofrimento nasce da sociedade continua atual, especialmente no ambiente profissional.
A base teórica é Freud, que aponta três fontes de sofrimento psíquico: o corpo, a natureza e as relações humanas. Entre elas, o terceiro grupo é considerado o mais complexo, pois envolve frustrações, críticas e rejeições entre pessoas com objetivos comummente divergentes.
Segundo o texto, o trabalho reúne pessoas com valores variados, com quem é preciso conviver, cooperar e, por vezes, competir. Essa convivência demanda autocontrole, gestão de frustrações e escolhas de linguagem em situações desafiadoras.
O papel da cultura organizacional é destacado como determinante para o modo como essas relações são vividas. Ambientes que estimulam rivalidades, isolamento e medo tendem a intensificar o mal-estar, enquanto culturas de cooperação e diálogo podem tornar a convivência mais sustentável.
O artigo não promete felicidade plena no trabalho, mas ressalta que a forma de estruturar relações pode reduzir significativamente o sofrimento. A organização, nesse sentido, aparece como ferramenta para evitar que o mal-estar se transforme em adoecimento.
Ao final, o autor lembra que, embora Sartre tenha dito que o inferno são os outros, cada gente também é o outro de alguém, destacando que a convivência é uma via de mão dupla e está sujeita a diversas dinâmicas do cotidiano profissional.
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