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Home office pode afetar relacionamentos, indicam especialistas

Alinhamento de fronteiras entre trabalho e vida pessoal decide o sucesso de casais que dividem o mesmo espaço, aponta estudo com duplas empregadas

Alinhar expectativas e dividir responsabilidades garante que o trabalho remoto não trabalhe contra o seu relacionamento
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  • Estudo publicado na Journal of Organizational Behavior acompanhou 170 casais empregados e validou com 1.561 casais de dupla renda na Alemanha, concluindo que o alinhamento de expectativas sobre fronteiras entre trabalho e casa é o principal termômetro de sobrevivência do relacionamento no home office.
  • Entre quem trabalha em home office, problemas aparecem mais em casais que defendem separação rígida entre vida profissional e doméstica, já que o trabalho invade o lar, gerando frustração, solidão e risco de divórcio; casais mais flexíveis lidam melhor.
  • A divergência entre os parceiros tem efeito diferente por gênero: entre homens, visões diferentes costumam aumentar conflitos; entre mulheres, discordâncias podem gerar menos atrito quando a parceira passa mais tempo no home office, visto como recurso complementar.
  • A flexibilidade é benéfica, especialmente para mulheres, mas pode reforçar papéis tradicionais se a mulher assume sozinha as tarefas domésticas por estar em casa; é preciso debater a transição e dividir responsabilidades.
  • Recomendação dos autores: o home office não é solução mágica; alinhar expectativas, dividir tarefas e considerar apoio como terapia de casal pode reduzir impactos negativos no relacionamento.

O estudo mostra que o ritmo do home office pode impactar relacionamentos amorosos, além da carreira. Foi analisado como a visão dos limites entre trabalho e vida pessoal interfere no sucesso ou fracasso da convivência sob o mesmo teto. A pesquisa cruzou dados de casais que trabalham juntos com um grande painel familiar alemão.

A investigação acompanhou 170 casais em que ambos trabalham, totalizando 340 pessoas. Para validação, os autores utilizaram dados de 1.561 casais de dupla renda de um painel alemão. O objetivo era verificar se o alinhamento de expectativas sobre separação entre trabalho e casa explica a sobrevivência do relacionamento.

Resultados indicam que a percepção sobre fronteiras entre trabalho e vida doméstica é o principal termômetro. Quando há concordância, a convivência tende a ser mais estável; quando há divergência, tende a haver conflitos, sentimentos de solidão e, em alguns casos, consideração de separação.

Metodologia

Entre os participantes, o tempo dedicado ao trabalho remoto correlacionou-se com as preferências de limites. Casais que defendiam separação rígida entre trabalho e casa apresentaram maiores dificuldades, especialmente em cenários de alta atividade profissional em casa.

No entanto, o estudo alerta que manter a separação estrita é quase impraticável no modelo remoto, o que pode gerar frustração e impactos na convivência. O conflito eleva a solidão e aumenta a probabilidade de pensar em divórcio.

Impactos por gênero

A análise, centrada em casais heterossexuais, aponta diferenças de reação entre homens e mulheres diante de divergências. Homens com visões distintas da parceira enfrentaram mais conflitos, independentemente de quem defendia qual método. Já quando as mulheres Divergiam, horas de home office maiores com parceria divergente geraram menos atrito, sugerindo uma adaptação que funciona como recurso complementar.

A equipe de pesquisadores sugere que os homens apresentaram maior resistência a aprender com a perspectiva da parceira, enquanto as mulheres tenderiam a adaptar-se para gerenciar o lar.

Relevância e recomendações

Os autores destacam que o home office não resolve automaticamente o estresse moderno. A flexibilidade é valiosa, especialmente para quem tem responsabilidades de cuidado, mas pode reforçar papéis de gênero se a mulher acumular tarefas domésticas apenas por estar em casa.

Antes de consolidar o escritório em casa, recomenda-se debate sobre divisão de tarefas e expectativas. A pesquisa sugere que empresas ofereçam terapia de casal como suporte aos funcionários para alinhar responsabilidades.

A conclusão enfatiza: alinhar expectativas e dividir funções é essencial para evitar que o trabalho remoto prejudique o relacionamento. O estudo foi conduzido por uma equipe internacional e publicado na revista Journal of Organizational Behavior. Credita-se Kim Elsesser, da Forbes, como colaboradora associada, com foco em vieses de gênero.

Observação: reportagem originalmente publicada em Forbes e adaptada para esta matéria.

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