Pesquisadores da Google DeepMind desenvolveram uma ferramenta de inteligência artificial chamada Habermas Machine (HM), projetada para atuar como um “mediador de caucus”. O objetivo é ajudar grupos a encontrar consenso em questões sociais e políticas complexas. O sistema foi treinado para identificar e apresentar áreas de concordância entre as opiniões dos participantes, sem buscar ser […]
Pesquisadores da Google DeepMind desenvolveram uma ferramenta de inteligência artificial chamada Habermas Machine (HM), projetada para atuar como um “mediador de caucus”. O objetivo é ajudar grupos a encontrar consenso em questões sociais e políticas complexas. O sistema foi treinado para identificar e apresentar áreas de concordância entre as opiniões dos participantes, sem buscar ser persuasivo, mas sim facilitando a mediação.
O estudo, publicado na revista Science, envolveu 5.734 participantes, recrutados por meio de plataformas de pesquisa e da Sortition Foundation, que organiza assembleias cidadãs. Os participantes foram divididos em grupos e responderam a perguntas como “Deveríamos reduzir a idade para votar para 16 anos?” e “O Serviço Nacional de Saúde deve ser privatizado?”. Após as discussões, a HM gerou resumos das opiniões coletivas, que foram avaliados pelos indivíduos.
Em um experimento, um participante de cada grupo foi designado como “mediador” e teve que apresentar declarações em nome do grupo. Os resultados mostraram que 56% das vezes, os participantes preferiram as declarações geradas pela IA em relação às do mediador humano, considerando-as de maior qualidade. Após a mediação da IA, os grupos mostraram-se menos divididos em suas posições.
Apesar dos resultados promissores, especialistas alertam para as limitações da HM. Joongi Shin, pesquisador da Aalto University, destaca que a falta de transparência sobre como as informações são processadas pode gerar questões éticas. Além disso, Michael Henry Tessler ressalta que o modelo atual não possui capacidades essenciais, como verificação de fatos e moderação de discussões, indicando que mais pesquisas são necessárias para um uso responsável da tecnologia. A Google DeepMind não planeja lançar o modelo publicamente.
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