Kessel Okinga-Koumou apresentou sua pesquisa na Deep Learning Indaba, conferência anual que ocorreu em setembro na Universidade Amadou Mahtar Mbow, em Dakar, Senegal. Com mais de 700 participantes, o evento discutiu o potencial da inteligência artificial (IA) na África, abordando setores como agricultura, educação e saúde. Okinga-Koumou, estudante de ciência da computação na Universidade da […]
Kessel Okinga-Koumou apresentou sua pesquisa na Deep Learning Indaba, conferência anual que ocorreu em setembro na Universidade Amadou Mahtar Mbow, em Dakar, Senegal. Com mais de 700 participantes, o evento discutiu o potencial da inteligência artificial (IA) na África, abordando setores como agricultura, educação e saúde. Okinga-Koumou, estudante de ciência da computação na Universidade da Cidade do Cabo, destacou a falta de equipamentos de laboratório em sua instituição, onde professores recorrem a métodos alternativos, como simulações em 2D. Para contornar essa limitação, ela desenvolveu um aplicativo web que utiliza realidade aumentada (AR) e IA, permitindo que alunos interajam com modelos 3D de equipamentos laboratoriais.
A Deep Learning Indaba, criada em 2017, possui capítulos em 47 dos 55 países africanos e visa impulsionar o desenvolvimento de IA no continente. Apesar do potencial, a adoção de tecnologias de IA enfrenta desafios significativos, como falta de financiamento e infraestrutura precária. O financiamento para pesquisa em linguística, essencial para desenvolver dados de treinamento em línguas africanas, é escasso, dificultando a criação de ferramentas de IA que atendam às necessidades locais. Além disso, a limitada conectividade à internet e a escassez de centros de dados domésticos complicam ainda mais a implementação de soluções avançadas.
Os pesquisadores também enfrentam a ausência de políticas abrangentes para regular e aproveitar os benefícios da IA. Embora existam documentos de políticas em elaboração, há divergências sobre a estratégia a ser adotada. A falta de um consenso pode atrasar o progresso da IA na África, que busca se afirmar no cenário global. No entanto, iniciativas como o aplicativo Your Choice, que ajuda a combater a epidemia de HIV, e startups como a Awarri, que visa desenvolver um modelo de linguagem para integrar línguas nigerianas, mostram que a pesquisa em IA está avançando.
A conferência também evidenciou a necessidade de um suporte governamental mais robusto. Apenas sete países africanos possuem estratégias formais de IA, e a falta de regulamentação adequada é uma preocupação constante. A divergência entre as estratégias propostas por diferentes órgãos, como a União Africana, gera tensões entre os pesquisadores. Apesar dos desafios, a comunidade de IA na África continua a crescer, com um aumento significativo nas publicações e inovações, refletindo um potencial promissor para o futuro da tecnologia no continente.
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