Um dos crustáceos mais temidos do mundo, o camarão-mantis, evoluiu para desferir golpes letais em suas presas sem danificar seu próprio corpo. Um estudo publicado em 6 de fevereiro na revista *Science* revela que o membro de ataque do camarão, conhecido como dactyl club, possui uma estrutura em múltiplas camadas que absorve as ondas de […]
Um dos crustáceos mais temidos do mundo, o camarão-mantis, evoluiu para desferir golpes letais em suas presas sem danificar seu próprio corpo. Um estudo publicado em 6 de fevereiro na revista *Science* revela que o membro de ataque do camarão, conhecido como dactyl club, possui uma estrutura em múltiplas camadas que absorve as ondas de choque geradas ao quebrar as conchas de moluscos e outros crustáceos. Essa descoberta pode inspirar o desenvolvimento de materiais artificiais com propriedades úteis, segundo Maroun Abi Ghanem, coautor do estudo e físico do CNRS na Universidade de Lyon, França.
Os pesquisadores analisaram o dactyl club do camarão-mantis-pavão (*Odontodactylus scyllarus*), nativo dos oceanos Índico e Pacífico. A exoesqueleto do dactyl club é composto por um polímero natural chamado quitina e um mineral à base de cálcio, semelhante ao encontrado nos ossos e dentes humanos. Essa estrutura é dividida em três camadas, sendo que a camada do meio é formada por fibras de quitina dispostas em uma configuração conhecida como estrutura Bouligand.
Nesta camada, as fibras se organizam como feixes de lápis que se abrem, com algumas apontando para as camadas externas, outras paralelas a elas e algumas em ângulos intermediários. As orientações das fibras não são aleatórias, mas variam de forma periódica, repetindo-se a cada aproximadamente 500 micrômetros. Essa complexidade estrutural é fundamental para a eficácia do golpe do camarão-mantis, permitindo que ele ataque suas presas com força devastadora.
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