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Cientistas desistem de criar ‘vida espelho’ devido a riscos catastróficos potenciais

- Quase 40 pesquisadores abandonaram a ideia de criar bactérias espelho devido a riscos à saúde. - A quiralidade, descoberta por Louis Pasteur em mil oitocentos e quarenta e oito, inspira a pesquisa. - Bactérias espelho poderiam causar infecções letais e se tornar espécies invasoras. - O relatório de trezentas páginas foi publicado na revista Science em dezembro de dois mil e vinte e quatro. - Discussões sobre os riscos e implicações continuam em conferências internacionais.

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Cientistas estão repensando a criação de bactérias espelho, uma ideia que surgiu da especulação científica sobre a quiralidade, a propriedade que faz com que moléculas tenham imagens espelhadas. O conceito foi popularizado pelo romance “Spock Must Die!” de James Blish, onde um Spock duplicado deve sintetizar aminoácidos espelhados para sobreviver. A pesquisa sobre a possibilidade […]

Cientistas estão repensando a criação de bactérias espelho, uma ideia que surgiu da especulação científica sobre a quiralidade, a propriedade que faz com que moléculas tenham imagens espelhadas. O conceito foi popularizado pelo romance “Spock Must Die!” de James Blish, onde um Spock duplicado deve sintetizar aminoácidos espelhados para sobreviver. A pesquisa sobre a possibilidade de organismos espelho ganhou força, mas um grupo de quase 40 pesquisadores de 26 instituições, co-presidido por John Glass, concluiu que essa meta deve ser abandonada.

O relatório de 300 páginas, publicado na revista Science, alerta que bactérias espelho poderiam evadir mecanismos imunológicos, causando infecções letais em humanos, animais e plantas. Além disso, existe o risco de que essas bactérias se tornem espécies invasoras em ecossistemas. Apesar de algumas bactérias conseguirem viver em ambientes sem nutrientes quirais, a possibilidade de acidentes laboratoriais e a evolução de organismos para escapar de contenções levantam preocupações sobre a segurança.

Kate Adamala, co-autora do relatório, enfatiza que os riscos identificados são extraordinários e que a criação de bactérias espelho não deve ser uma prioridade. O apoio à decisão de não prosseguir com essa pesquisa é quase unânime entre os cientistas envolvidos. A discussão sobre os perigos das tecnologias genéticas continua em conferências, como a que ocorrerá em junho no Instituto Pasteur, em Paris.

Embora a síntese de biomoléculas espelhadas continue sem riscos, a criação de células espelho autossuficientes é considerada potencialmente perigosa. Jonathan Jones, especialista em defesas de plantas, destaca a necessidade de um debate internacional sobre os limites da pesquisa. A frase de Pamela Silver, bióloga sintética de Harvard, resume a questão: “Iogurte pode fazer mais iogurte, mas xampu não pode fazer mais xampu.”

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