Cientistas anunciaram em fevereiro a descoberta de uma das maiores estruturas do universo, chamada Quipu, que se estende por aproximadamente 1,3 bilhão de anos-luz. A pesquisa, liderada pelo astrofísico Hans Böhringer, foi publicada na revista “Astronomy and Astrophysics”. A equipe identificou essa superestrutura ao examinar uma região pouco estudada do cosmos, entre os redshifts 0,03 […]
Cientistas anunciaram em fevereiro a descoberta de uma das maiores estruturas do universo, chamada Quipu, que se estende por aproximadamente 1,3 bilhão de anos-luz. A pesquisa, liderada pelo astrofísico Hans Böhringer, foi publicada na revista “Astronomy and Astrophysics”. A equipe identificou essa superestrutura ao examinar uma região pouco estudada do cosmos, entre os redshifts 0,03 e 0,06, correspondendo a distâncias de 424 a 815 milhões de anos-luz da Terra, utilizando emissões de raios-X para mapear aglomerados de galáxias.
Essas emissões funcionam como sinalizadores de regiões densas de matéria, permitindo a criação de um mapa em três dimensões da distribuição dos aglomerados, que se alinham às estruturas invisíveis da matéria escura. A massa dessas superestruturas influencia a radiação cósmica de fundo, distorcendo-a como uma lente gravitacional. Essa distorção gera “ruídos” que dificultam a análise da radiação pura, essencial para entender o Big Bang e a expansão do universo.
Além disso, Quipu pode impactar medições da constante de Hubble, que descreve a velocidade de expansão do universo. As enormes massas de estruturas como Quipu atraem galáxias, criando “correntes locais” que complicam a distinção entre movimentos de expansão e velocidades peculiares. Apesar de seu tamanho, Quipu possui uma estrutura filamentar, resultado da evolução cósmica, onde regiões mais densas atraem matéria e se transformam em longos filamentos.
Embora Quipu seja atualmente uma das maiores estruturas conhecidas, outras superestruturas, como o Superaglomerado Laniakea e a Grande Muralha de Hércules Corona-Borealis, competem pelo título. Böhringer destaca que a busca por estruturas ainda maiores requer telescópios mais potentes e análise de grandes volumes de dados. Com o tempo, a energia escura pode desagregar Quipu, formando novos aglomerados de galáxias, um processo que levará várias vezes a idade atual do universo. A equipe planeja investigar a evolução das galáxias e o efeito de lente gravitacional dessas massas.
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