A construção de uma planta de hidrogênio verde no Chile pode aumentar a poluição luminosa em um dos telescópios mais poderosos do mundo, o Very Large Telescope (VLT), em pelo menos 35%. A análise da European Southern Observatory (ESO) indica que a poluição também afetará o Cherenkov Telescope Array Observatory (CTAO), em construção, com um […]
A construção de uma planta de hidrogênio verde no Chile pode aumentar a poluição luminosa em um dos telescópios mais poderosos do mundo, o Very Large Telescope (VLT), em pelo menos 35%. A análise da European Southern Observatory (ESO) indica que a poluição também afetará o Cherenkov Telescope Array Observatory (CTAO), em construção, com um aumento de 55%. Os impactos incluem maior turbulência atmosférica e vibrações que podem danificar equipamentos sensíveis, levando a consequências “devastadoras e irreversíveis”, segundo a astrônoma Itziar de Gregorio-Monsalvo.
A AES Andes, responsável pelo projeto, afirmou que busca utilizar as melhores tecnologias e padrões rigorosos, alegando que sua análise inicial não indicou um impacto significativo. Em resposta à análise da ESO, a empresa declarou que está revisando os dados para entender as discrepâncias entre os resultados. O projeto, que ocupará 3.000 hectares no deserto do Atacama, visa aproveitar a intensa luz solar e os ventos fortes da região para gerar energia renovável.
As condições do Atacama atraíram instituições para a construção de instrumentos avançados, como o VLT e o futuro Extremely Large Telescope (ELT). A ESO destacou que a escuridão do céu é crucial para a observação de objetos astronômicos, e um aumento na luminosidade dificultará a distinção entre esses corpos celestes. A AES Andes, por sua vez, apresentou números que indicam um aumento na luminosidade do céu de apenas 0,27% no VLT, bem abaixo dos limites regulatórios chilenos.
A análise da ESO foi conduzida por Martin Aubé e outros pesquisadores, com base em um relatório de impacto ambiental apresentado pela AES ao Serviço de Avaliação Ambiental do Chile. A decisão sobre a continuidade do projeto cabe a essa agência. A discrepância entre as análises da AES e da ESO levanta preocupações sobre o futuro das operações dos telescópios na região, que são fundamentais para a pesquisa astronômica de alta energia.
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