O setor de inteligência artificial está passando por uma transformação significativa, com o valor se deslocando das empresas que desenvolvem modelos para aquelas que criam aplicativos baseados nesses modelos. Inicialmente, aplicativos como Perplexity, Replit, Sesame e Abridge eram vistos como meros intermediários, conhecidos como “AI wrappers”, que apenas ofereciam uma interface para tecnologias de terceiros. […]
O setor de inteligência artificial está passando por uma transformação significativa, com o valor se deslocando das empresas que desenvolvem modelos para aquelas que criam aplicativos baseados nesses modelos. Inicialmente, aplicativos como Perplexity, Replit, Sesame e Abridge eram vistos como meros intermediários, conhecidos como “AI wrappers”, que apenas ofereciam uma interface para tecnologias de terceiros. No entanto, a evolução de modelos mais eficientes e a crescente commoditização desses modelos mudaram essa percepção. Shiv Rao, CEO da Abridge, destacou que a ideia de que apenas grandes investimentos em modelos seria a única forma de competir em IA foi rapidamente superada, com a compreensão de que “o valor se desloca para cima na pilha”.
Grandes empresas como Microsoft investiram bilhões na infraestrutura e no desenvolvimento de modelos, mas a crescente similaridade entre esses modelos diminuiu a vantagem competitiva dos criadores. Enquanto essas empresas se concentravam em capacidades brutas, as startups de aplicativos começaram a focar em soluções práticas para problemas reais. Bryan Kim, parceiro da Andreessen Horowitz, comentou que o termo “wrapper” pode dar a impressão de falta de profundidade, mas o verdadeiro valor está em “entender o problema do cliente” e oferecer soluções adequadas.
A mudança na abordagem de desenvolvimento em Silicon Valley também é notável, com o surgimento do conceito de “vibe-coding”. Aplicativos como Cursor permitem que qualquer pessoa crie um aplicativo sem a necessidade de formação técnica. Calvin Chin, do E14 Fund, elogiou essa nova forma de interação com sistemas, sugerindo que, à medida que os modelos e produtos evoluem, novas atividades baseadas em vibrações, como “vibe-lawyering” e “vibe-accounting”, podem surgir, aumentando a confiança nas tecnologias.
Essa nova dinâmica no setor de IA indica uma evolução na forma como as empresas e desenvolvedores interagem com a tecnologia, priorizando a solução de problemas e a experiência do usuário. O futuro promete um ambiente onde a confiança nas soluções baseadas em IA se tornará cada vez mais comum, à medida que as ferramentas se tornam mais acessíveis e intuitivas.
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