O uso de inteligência artificial está se tornando comum em redações de jornais, ajudando a melhorar decisões e a experiência dos leitores. Um relatório mostrou que 67% das redações usam IA para sugerir pautas ou organizar conteúdo. O MIT Technology Review usa a tecnologia para entender o que o público quer ler, enquanto o Grupo Exame tem um especialista em IA que cuida do uso ético da tecnologia. O Estadão discute como usar a IA em suas reportagens, e O Globo é mais cauteloso, usando a IA apenas para recomendações. O New York Times criou um assistente de IA para melhorar títulos e SEO. Alguns jornais, como Il Foglio, já produzem conteúdo totalmente com IA, o que levanta questões sobre o futuro do jornalismo. Apesar de a IA não substituir jornalistas, ela muda como as redações funcionam, ajudando a criar conteúdo mais eficiente e personalizado.
Com o avanço das tecnologias generativas, os veículos de comunicação têm encontrado na inteligência artificial (IA) uma aliada poderosa para apoiar decisões editoriais, melhorar a experiência do leitor e otimizar processos internos. Embora o uso de IA ainda esteja em diferentes estágios de maturidade nas redações, alguns jornais e revistas vêm se destacando por adotar a tecnologia de maneira estratégica e inovadora.
Segundo o relatório *Journalism, Media, and Technology Trends and Predictions 2023*, do Reuters Institute for the Study of Journalism, 67% das redações já utilizam IA para sugerir pautas ou organizar conteúdo online, sendo que 5% fazem uso intenso da tecnologia, enquanto 39% estão em fase experimental. Abaixo, listamos os veículos que mais se destacam nessa transformação digital:
**1. MIT Technology Review (Brasil/EUA)**
Diferencial: Um dos veículos mais avançados no uso de IA, a MIT Technology Review adota a tecnologia para aferir o interesse do público, analisar métricas e testar diferentes formatos de entrega, como gráficos e narrativas personalizadas.
Uso de IA: Apoio na avaliação de pautas, análise de dados de audiência, mensuração de KPIs em redes sociais e personalização de conteúdo conforme o perfil de consumo dos leitores. A publicação busca ampliar a capacidade de produção mantendo o toque humano nas reportagens.
**2. Grupo Exame (Brasil)**
Diferencial: Foi pioneiro ao nomear um Chief Artificial Intelligence Officer (CAIO), responsável por educar, estruturar e guiar o uso ético e estratégico da IA dentro da empresa.
Uso de IA: Ferramentas de recomendação de conteúdo, transcrição automatizada de entrevistas, otimização de SEO, desdobramento multiplataforma e produção de cursos pagos sobre IA — que já representam fonte relevante de receita.
3. Estadão (Brasil)
Diferencial: Criou um comitê que se reúne semanalmente para discutir a IA em diferentes dimensões: editorial, técnica e jurídica. A abordagem é colaborativa e cautelosa.
Uso de IA: A IA é utilizada em fases de planejamento, como organização de entrevistas e estruturação de projetos. O Estadão testa a integração com o ChatGPT em seu chatbot, mas proíbe a publicação de qualquer conteúdo que tenha sido produzido ou editado por IA.
**4. O Globo (Brasil)**
Diferencial: Adota uma postura transparente e restritiva quanto ao uso de IA, prezando pela confiança do leitor.Uso de IA: Aplicações limitadas a recomendação personalizada de conteúdo no site e em newsletters. O uso em reportagens ou imagens só é permitido quando há clareza sobre a presença da tecnologia no material publicado.
**5. The New York Times (EUA)**
Diferencial: Desenvolveu internamente o “Editor”, um assistente de IA que auxilia jornalistas com sugestões de manchetes e SEO.
Uso de IA: Otimização de títulos, identificação de palavras-chave e análise de desempenho de artigos. Recentemente, o jornal firmou um acordo com a OpenAI, autorizando o uso de seu conteúdo no treinamento de modelos de linguagem, como o ChatGPT.
**Menções relevantes**
- Il Foglio (Itália): Em um movimento ousado, tornou-se o primeiro jornal do mundo produzido 100% com inteligência artificial, um experimento que levanta debates sobre o futuro da profissão.
- Washington Post e Reuters: Referências globais no uso de IA para automatizar textos sobre eventos programados e antecipar tendências com base em dados de redes sociais.
O uso da inteligência artificial no jornalismo ainda está longe de substituir repórteres humanos, mas já redefine como as redações operam. Com aplicações que vão da eficiência operacional à personalização de conteúdo, a IA promete ampliar o alcance do jornalismo — sem abrir mão da credibilidade.
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