Um documento interno do Google, apresentado em um julgamento antitruste, mostra que a empresa decidiu não permitir que editores escolhessem se seus conteúdos poderiam ser usados para treinar modelos de Inteligência Artificial. Essa decisão, tomada em abril de 2024, priorizou a eficiência em vez do controle dos criadores. O documento, assinado por uma executiva do Google, afirma que não usar informações de editores tornaria o treinamento de IA muito complicado. Assim, a empresa estabeleceu que editores que quisessem aparecer nas buscas teriam que permitir o uso de seus dados. O Google também fez uma mudança em sua política de uso de dados sem aviso público, resumindo sua abordagem em “Faça o que dizemos, diga o que fazemos — mas com cuidado”. Os editores, que dependem do tráfego do Google, enfrentam a difícil escolha de permitir o uso de seus conteúdos ou perder visibilidade. Muitos acabaram cedendo, pois o Google introduziu recursos que reduzem cliques em links externos, diminuindo as oportunidades de receita. O documento também revela que o Google considerou dar mais controle aos editores, mas decidiu não seguir essas sugestões. O juiz do caso está avaliando propostas para limitar o domínio do Google, incluindo uma que exigiria que a empresa permitisse que sites optassem por não participar do treinamento de IA sem penalidades. Um porta-voz do Google afirmou que o documento é apenas uma lista preliminar e que a empresa continua a atualizar suas políticas, mas a falta de controle para os editores gera preocupações sobre o futuro do conteúdo digital.
Um documento interno do Google, apresentado durante o julgamento antitruste contra a Alphabet, revela que a empresa optou por não permitir que editores escolhessem se seus conteúdos poderiam ser usados no treinamento de modelos de Inteligência Artificial (IA). A decisão, tomada em abril de 2024, priorizou a eficiência em detrimento do controle dos criadores.
O documento, assinado por Chetna Bindra, executiva de gerenciamento de produtos do Google Search, afirma que não usar informações de editores tornaria o treinamento de IA “muito complicado”. Assim, a empresa estabeleceu uma “linha vermelha rígida”: editores que desejassem aparecer nas buscas teriam que permitir o uso de seus dados para treinar os sistemas de IA.
Estratégia de Controle
Em vez de oferecer opções de compartilhamento, o Google implementou uma “atualização silenciosa” de sua política de uso de dados, sem comunicação pública. Essa abordagem foi resumida como: “Faça o que dizemos, diga o que fazemos — mas com cuidado”. O domínio do Google, que controla mais de 90% do mercado de busca, lhe confere uma vantagem significativa na corrida pela IA.
Os editores, que dependem do tráfego gerado pelo Google, enfrentam uma escolha difícil: permitir o uso de seus conteúdos ou perder visibilidade. Muitos acabaram cedendo, mesmo relutantes, pois o Google introduziu recursos como o AI Overviews, que gera respostas automáticas, reduzindo cliques em links externos e, consequentemente, oportunidades de receita.
Opções Ignoradas
O documento também revela que o Google discutiu alternativas para dar mais controle aos editores, como a possibilidade de não ter seus conteúdos usados em certos recursos de IA. No entanto, a empresa decidiu não seguir essas sugestões, redirecionando editores para uma ferramenta existente que reduz a visibilidade de seus conteúdos.
O juiz federal Amit Mehta, que preside o julgamento, está avaliando propostas do Departamento de Justiça dos EUA para limitar o domínio do Google. Uma das propostas exige que a empresa permita que sites optem por não participar do treinamento de IA sem penalidades.
Um porta-voz do Google afirmou que o documento é uma lista preliminar de opções e não reflete decisões finais. A empresa continua a atualizar suas políticas, mas a falta de controle para os editores levanta preocupações sobre o futuro do conteúdo digital e a capacidade de monetização.
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