- Uma análise recente revelou que um em cada sete resumos de pesquisas biomédicas publicados em 2024 foi provavelmente escrito com ajuda de inteligência artificial.
- O estudo revisou mais de 1,5 milhão de resumos indexados no PubMed e identificou que mais de 200 mil continham palavras frequentemente sugeridas por modelos de linguagem.
- A pesquisa, publicada na revista Science Advances, destacou um aumento no uso de palavras estilísticas, que não estão diretamente ligadas ao conteúdo das pesquisas.
- Desde 2021, o uso de palavras em excesso aumentou, passando de 190 termos, principalmente substantivos, para uma predominância de verbos e adjetivos após a popularização do ChatGPT.
- A análise sugere que essas mudanças na linguagem podem impactar a comunicação e a percepção da ciência.
Uma análise recente revelou que cerca de um em cada sete resumos de pesquisas biomédicas publicados em 2024 foi provavelmente escrito com a ajuda de inteligência artificial (IA). O estudo, que revisou mais de 1,5 milhão de resumos indexados no PubMed, identificou que mais de 200 mil resumos continham palavras frequentemente sugeridas por modelos de linguagem.
A pesquisa, publicada na revista Science Advances, destaca um aumento significativo no uso de palavras estilísticas, que não estão diretamente relacionadas ao conteúdo das pesquisas. Andrew Gray, bibliometrista da University College London, afirma que os pesquisadores ainda não compreendem totalmente a extensão do uso dessas ferramentas na produção acadêmica.
Os pesquisadores utilizaram uma abordagem inovadora, buscando por “palavras em excesso” que começaram a aparecer com mais frequência após a popularização do ChatGPT em novembro de 2022. A análise identificou 454 palavras que se tornaram mais comuns em 2024, muitas delas sendo verbos e adjetivos como “crucial” e “potencial”.
Mudanças no Vocabulário Científico
O estudo também observou que as mudanças no léxico científico têm ocorrido de forma acelerada. Desde 2021, houve um aumento notável nas palavras em excesso, passando de 190 termos, que eram principalmente substantivos relacionados ao conteúdo, para uma predominância de palavras estilísticas após a introdução dos modelos de IA.
A pesquisa sugere que essa mudança no uso da linguagem pode impactar a forma como a ciência é comunicada e percebida. Dmitry Kobak, cientista de dados da Universidade de Tübingen, destaca que a análise de palavras em excesso pode ajudar a entender melhor as tendências atuais na redação acadêmica.
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